Quarta-feira, 18 de Maio de 2022

Centro Interpretativo Mineiro de Jales já abriu portas

A inauguração decorreu esta tarde perante uma plateia de largas dezenas de pessoas, entre as quais, alguns antigos mineiros que, há muito, ansiavam por este dia

Em Campo de Jales, junto ao afamado “cavalete” que, até então, trazia à memória aquela que foi a última exploração de ouro em Portugal, nasceu o Centro Interpretativo Mineiro de Jales, do qual fazem parte a casa do guincho do Poço de Santa Bárbara, que, até 1992, permitiu o transporte vertical de mineiros e a comunicação desde a superfície até às galerias, e um espaço museológico constituído por três pisos, sendo que o inferior diz respeito a uma réplica de galeria subterrânea com acesso idêntico ao utilizado pelos mineiros à época.

César Almeida, antigo mineiro, visivelmente emocionado, diz-nos que “foi uma tristeza muito grande isto ter fechado. É uma alegria ver aqui muita gente e ver, hoje, a inauguração de uma imitação da mina. Trabalhei aqui 22 anos e maior parte do material que aqui existe era meu”, revela com orgulho.

Augusto Silva, dedicou 33 dos seus 84 anos de vida às minas. “Era o meu ganha pão, o meu e o dos meus 12 filhos. O poço de Santa Bárbara era a minha casa. Estou muito contente com esta obra. Já era tempo deste pessoal mais novo ficar a conhecer alguma coisa das antigas minas”.

Alberto Machado, presidente da Câmara Municipal aguiarense, reiterou que esta “era uma obra desejada pela população há muito tempo mas, como também se costuma dizer, antes tarde que nunca, ainda que com algumas décadas de atraso”.

O autarca frisou que “sempre considerámos que este património mineiro tinha valias que podiam ser aproveitadas em prol da própria comunidade. Foi isto que conseguimos desenvolver, envolvendo a própria comunidade”.

O Centro Interpretativo resulta “da recuperação do que era mais simbólico e que não tinha sido vendido pela massa falida, como o guincho do Poço de Santa Bárbara e a própria casa do guincho. Este era, portanto, o sítio mais simbólico das minas a partir do qual se acedia a todas as galerias”.

Ao mesmo tempo, “para representarmos um espaço museológico que nos pudesse transportar à altura, fizemos uma galeria devidamente equipada com metodologias utilizadas na época. Todo o espólio aqui presente, ao qual ainda se irão acrescentar mais elementos, resulta de coleções particulares de antigos mineiros”.

A obra hoje inaugurada “resulta de um investimento de 600 mil euros”, dos quais “cerca de 150 mil foram assumidos pela Câmara Municipal e, o restante, resultou de comparticipação do programa “Valorizar”.

INAUGURAÇÃO

Após um primeiro momento simbólico de bênção realizada junto ao nicho da Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, pelo pároco Iolando Pereira, junto à entrada da galeria que tem um percurso circular de 110 metros e de onde se pode ver o Poço de Santa Bárbara, seguiu-se o descerramento da placa de inauguração do Centro Interpretativo.

No seu discurso, Alberto Machado dedicou o Centro a todos os mineiros, em especial aos “Jalotos”, homenagem que o presidente da Junta de Freguesia de Vreia de Jales, Sérgio Favaios, e o presidente da Associação de Desenvolvimento Integrado das Terras de Jales (AOURO), Manuel Machado, também quiseram prestar à comunidade local que não deixou de marcar presença na inauguração daquele que é um espaço de valorização patrimonial e turística das minas de Jales.

DINAMIZAÇÃO TURÍSTICA

Alberto Machado destacou a importância “da criação de infraestruturas turísticas. No concelho de Vila Pouca de Aguiar o que claramente nos distingue é o potencial mineiro. A ideia é trazer o mesmo turista que visita Tresminas, por exemplo, aqui a Jales, a uma exploração muito mais recente”.

A autarquia tem, ainda, “a ambição de poder oferecer visitas a uma exploração em atividade. Em 2015, quando a AOURO foi criada tivemos a expectativa de ver dinamizada a concessão mineira na Gralheira. Havia e há interessados, mas o Estado tem atrasado muito essa concessão e, por isso, ainda não se avançou, mas continua a ser um objetivo. No fundo, fechávamos um ciclo: permitíamos a visita a uma exploração com dois mil anos, a outra do século passado e, depois, uma exploração em atividade, com tecnologias modernas e com projetos contra a pobreza, com mais-valias em prol da população local”, rematou Alberto Machado.

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