No programa “Prós e Contras”, do passado dia 21 de Março, falou-se das cidades, mais propriamente dos desafios que vão ter pela frente nos próximos anos. Falou-se da necessidade de novas formas de governação com a participação dos cidadãos e da necessidade de inverter o paradigma da construção existente nos municípios desde 1976, privilegiando a reabilitação urbana e a dinamização do mercado de arrendamento. Ficou ainda claro que o sucesso futuro das cidades dependerá em muito de como forem tratados os aspectos relacionados com a mobilidade, com a eficiência energética e com a defesa do meio ambiente. A aposta na reabilitação urbana – que exige uma componente técnica interdisciplinar altamente especializada – deve ser vista, acima de tudo, como um processo de gestão e manutenção do tecido urbano considerado na sua globalidade, isto é, nas dimensões técnica, social e económica. No contexto nacional, ela assume-se como uma área da economia com potencial de crescimento e criação de emprego e ainda como uma oportunidade para renovar as nossas cidades e requalificar os edifícios degradados.
Nas últimas três décadas assistimos a um crescente e contínuo despovoamento e terciarização das zonas centrais das cidades, nomeadamente dos centros históricos, verdadeiros repositórios de memória onde é possível descobrir a sua verdadeira identidade. Simultaneamente, vimos os perímetros urbanos das cidades expandirem-se, de forma desregulada, em direcção às suas periferias sem que para tal tenha havido a preocupação de integrar as políticas de urbanismo com as políticas de transporte. O resultado está à vista!
Porventura, somos o país da União Europeia onde a reabilitação do património edificado é mais incipiente. Segundo um estudo recente da AECOPS (Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços), do número total de licenças de construção emitidas para edifícios de
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