Cidades (II)

Copenhaga tinha, nos seus primórdios, uma rua central cheia de edifícios imponentes e com um comércio próspero. Era nessa rua que as pessoas se encontravam e conversavam, as crianças brincavam e os negócios surgiam. Em suma, era o local onde a vida pública acontecia.

Com a chegada do automóvel, a partir dos anos 50, essa rua, outrora calma e acolhedora, passou a ser ruidosa, poluída e até perigosa. Aos poucos as pessoas deixaram de lá ir. Até que surgiu um jovem arquitecto de nome Jan Gehl que, pouco tempo depois de estar a trabalhar na Câmara Municipal (Radhus) de Copenhaga, se propôs apresentar uma ideia inovadora para inverter o processo de acentuado declínio que essa rua, outrora próspera, estava a sofrer. Essa ideia, relativamente simples mas arrojada para a época, consistia apenas em fechar a rua ao trânsito automóvel e torná-la novamente agradável para as pessoas. No início os comerciantes rejeitaram a ideia. Alegaram várias coisas: que os clientes

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