Vila RealClassificação do Parque Florestal foi “indeferida” pela AFN

Classificação do Parque Florestal foi “indeferida” pela AFN

No ano passado, o Parque Florestal comemorou meio século de existência, um aniversário que poderia ter sido marcado pelo seu reconhecimento enquanto Arvoredo de Interesse Público não fosse o indeferimento do pedido lançado pela Quercus e pela autarquia de Vila Real. Os ambientalistas garantem que não vão desistir e planeiam já um recurso ao secretário de Estado das Florestas.

A Autoridade Florestal Nacional (AFN) indeferiu o requerimento de classificação do Parque Florestal de Vila Real enquanto Arvoredo de Interesse Público, alegando que o parque “não tem exemplares com idade, dimensão ou raridade” que a justifiquem.

No requerimento, apresentado em Julho de 2008, o núcleo de Vila Real da Quercus explicava que o “pedido fundamenta-se na importância dendrológica e paisagística deste Parque Florestal, quer ao nível regional, quer ao nível da cidade”, uma opinião que não se altera com o parecer da AFN e que, por isso, vai levar os ambientalistas a apresentarem um recurso ao secretário de Estado das Florestas.

“Para nós essa justificação é falsa”, considerou João Branco, da Quercus de Vila Real, explicando que entre as espécies arbóreas do Parque Florestal existem árvores exóticas muito raras, outras com mais de 30 metros de altura e a maioria já tem mais de 50 anos de idade.

Outro dos argumentos utilizados pela AFN é o facto de haverem “muitos parques florestais pelo país”, mas, mais um vez, os ambientalistas recordam que o arvoredo vila-realense, pela “sua diversidade de espécies, é um dos, senão o melhor, do país”.

No parecer da Autoridade Florestal foi ainda aconselhado à Quercus que pedisse junto da autarquia de Vila Real a classificação en-quanto “Espaço de Interesse Municipal”, um requerimento que a Quercus irá fazer, no entanto, João Branco adverte que a associação de protecção da natureza não vai desistir do processo de classificação enquanto Arvoredo de Interesse Público.

Miguel Esteves, vereador da Câmara Municipal de Vila Real, confirmou que também a autarquia apresentou o pedido junto da AFN, no entanto garantiu ainda não ter conhecimento sobre o seu indeferimento. “Caso assim o seja, o vereador deixa a certeza que irá concertar esforços com a Quercus para ponderar um possível recurso.

“Temos vários projectos em curso para a reabilitação e preservação do Parque Florestal e do Parque Corgo”, referiu Miguel Esteves, considerando também como importante a classificação do ‘pulmão da cidade’ para que se possa garantir um nível superior de protecção.

Propriedade do Estado Português, com gestão divida entre o município e a própria AFN, a classificação do Parque Florestal como Arvoredo de Interesse Público, para além de “garantir a protecção” das suas espécies arbóreas, poderia servir para dar visibilidade ao concelho.

“Tendo em conta a sua localização, o Parque Florestal estabelece, a partir da Avenida 1.º de Maio, uma importante ligação com o rio, tendo sido alvo de diversas intervenções com vista à sua plena integração no sistema de áreas verdes urbanas de uso público e que potenciaram a sua atractividade, conforto e segurança e materializaram-se num visível aumento do fluxo de utilizadores”, referia a autarquia num comunicado divulgado em Julho.

Em mais de seis hectares de extensão, o Parque Florestal de Vila Real reúne aproximadamente um milhar de exemplares arbóreos, entre os quais algumas “espécies muito raras com elevado valor educativo”, por isso a Quercus está a preparar, com a colaboração da autarquia, um catálogo das espécies existentes.

Segundo dados disponibilizados pelo site da DGRF, a última classificação atribuída no distrito de Vila Real foi oficializada no ano passado e veio confirmar o interesse de um castanheiro existente no Lugar de Vales, freguesia de Tresminas, concelho de Vila Pouca de Aguiar.

-PUB-


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais lidas

PRÉMIO