Vila RealCom 40 anos de história, UTAD quer hoje “fazer parte da solução” para o país

Com 40 anos de história, UTAD quer hoje “fazer parte da solução” para o país

A dois de março de 1974 tomou posse a primeira Comissão Instaladora do Instituto Politécnico de Vila Real. 40 anos depois, todos aqueles que se envolveram na luta para que o ensino superior fosse uma realidade na capital de distrito recordaram os momentos mais significativos da história da academia. 40 anos depois, a UTAD olha para o futuro ambicionando não ser apenas uma “uma universidade clássica”, voltada para o ensino e para a investigação, mas também pretende ser uma instituição mais interventiva e mais ativa, quer fazer parte da solução para os problemas de um cenário complexo vivido a nível nacional.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) realizou, no dia dois, a sessão evocativa dos 40 anos da tomada de posse da primeira comissão instaladora do Instituto Politécnico de Vila Real (IPVR), um evento que contou com a participação e testemunho de muitos dos nomes que fizeram a história do ensino superior na cidade e na região.

“É um ato de justiça lembrar todos os elementos das forças vivas da cidade que ajudaram a criar” o IPVR, “quer em 1973, quando foi lançada a legislação com o ministro Veiga Simão”, quer mais tarde, no período conturbado do 25 de abril em que “a população, mesmo nos momentos de euforia, não esqueceu que a criação do ensino superior era fundamental, como se veio hoje a confirmar”, recordou Fontainha Fernandes, reitor da UTAD, à margem da cerimónia que teve lugar nos claustros do ex-Governo Civil, exatamente o local onde há 40 anos tomou posse a primeira comissão instaladora.

Apesar do programa de comemorações ainda não estar fechado, o reitor adiantou já duas datas chave, nomeadamente o próximo dia 22, altura em que se comemora do dia da UTAD e o dia 31 de maio, para o qual está marcado um encontro de antigos alunos.

No dia da universidade, a cerimónia irá contar com o “registo de pessoas” reconhecidas a nível nacional que “vão demonstrar que a UTAD é fundamental para tornar o país mais coeso”. O reitor sublinha a importância da academia “numa altura em que se fala na reforma do Estado e em que o interior vai perdendo cada vez mais o seu peso e vai havendo uma litoralização do país”. “É fundamental demonstrar que as instituições de ensino superior do arco do interior continuam a ser âncoras de esperança e de criação de emprego e como tal uma das poucas vias de fixar população”, reforçou.

Relativamente ao encontro dos antigos alunos, “existem bons exemplos de ex-estudantes que ocupam lugares de relevância, quer do ponto vista político quer do ponto de vista empresarial”, o que, segundo defende Fontainha Fernandes, “mostra que a UTAD pode dar continuidade ao seu trabalho, merece existir”.

Sobre as restantes atividades previstas para a comemorações dos 40 anos do ensino superior em Vila Real, o reitor deixou a certeza de que a universidade quer comemorar com a cidade e com a região, uma vez que “sair das salas de aulas, dos seus corredores, do seus espaços académicos é fundamental”. “A UTAD quer estar no terreno, não vamos esperar que a cidade e a região venham ter connosco”, garantiu.

Sobre o futuro, Fontainha Fernandes adiantou que o objetivo da academia transmontana, tal como refere o plano estratégico da atual equipa reitoral, é ser uma universidade “mais interventiva, mais ativa e mais participativa”.

“Em primeiro lugar, não queremos ser uma universidade clássica, ou seja, não queremos ter um papel apenas no ensino na investigação e na transferência de conhecimento, queremos estar ligados ao território. Preocupa-nos as pessoas e os seus problemas”, referiu o reitor, explicando que o objetivo é ter “um papel ativo na fixação das pessoas, na criação de emprego, na criação de empresas”.

 

UTAD vai ter assento no Conselho Estratégico Municipal

Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, anunciou, durante a cerimónia de evocação dos 40 anos da instalação da comissão instaladora do IPVR que a UTAD deverá ter lugar no futuro Conselho Estratégico Municipal, um órgão que está a ser criado.

Segundo o autarca, no conselho informal, “estarão presentes, caso aceitem, forças políticas, organismo institucionais e também pessoas individualmente, que aconselharão e ajudarão o presidente da Câmara e o executivo a delinear estratégias”.

O objetivo é pensar em conjunto no futuro do concelho, quer sejam “nos projetos mais imediatos quer, de forma prospetiva, naqueles a médio e longo prazo”.

Com o anúncio, Rui Santos quis “reforçar a ideia da importância da Universidade para a cidade”. “Temos que caminhar em conjunto, temos que nos aproximar, quer nas relações institucionais, quer nas relações informais”, defendeu o autarca, recordando ainda o Parque de Ciência e Tecnologia, que deverá estar pronto no próximo ano, como um exemplo das boas relações entre o concelho e a academia.

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