Vila RealComandante vila-realense recebe distinção nacional

Comandante vila-realense recebe distinção nacional

Sempre prontos a servir segundo o lema “vida por vida”, as corporações representam para muitos bombeiros a sua segunda casa, e os seus colegas, dirigente e comandantes parte integrante da sua família. Bombeiro há 30 anos, Álvaro Ribeiro comanda há 18 a família da Cruz Branca de Vila Real. A dedicação e empenho com que tem vindo a desempenhar as suas funções, valeu-lhe agora o reconhecimento nacional.

A Liga de Bombeiros Portugueses (LBP) vai atribuir a Álvaro Ribeiro, comandante da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Cruz Branca de Vila Real, a “Menção Honrosa – Elemento do Quadro de Comando”.

Segundo a LBP, o comandante merece o reconhecimento “pelo facto de há mais de 30 anos servir e dedicar-se de forma exemplar aos Bombeiros Voluntários em geral, e ao seu Corpo de Bombeiros em particular”.

Álvaro Ribeiro, que desde 1993 assume com comando dos bombeiros da Cruz Branca, é hoje o segundo comandante mais antigo da corporação, depois do fundador Manuel Morais Serrão, que desempenhou a função durante 22 anos. “Este reconhecimento não é só meu, representa a dedicação e o trabalho que se faz no dia-a-dia da instituição, que são os bombeiros”, sublinhou o comandante.

“Sempre orientei o grupo para sermos considerados como um serviço público”, explicou o mesmo responsável, sublinhando a importância de terem a confiança das pessoas, que “normalmente pedem ajuda em situações graves”, para as quais os soldados da paz têm que estar preparados para responder.

O comandante vila-realense vestiu pela primeira vez a farda dos bombeiros em 1980, quando, aos 20 anos, integrou, enquanto elemento fundador, a corporação de voluntários de Ribeira de Pena. Hoje, como explica, o grande desafio dos soldados da paz é a necessidade de adaptação às novas realidades de uma “sociedade e meio ambiente em evolução”. “Temos que ser capazes de identificar os novos riscos e prepararmo-nos para conseguir responder”, sublinhou o comandante, lembrando, por exemplo, as novas exigências que a construção de grandes infra-estruturas traz em caso da necessidade de uma operação de socorro. “Temos que fazer o esforço de preparação e formação para podermos trabalhar num ambiente no qual não estamos habituados”, sublinhou.

Outro desafio que, segundo Álvaro Ribeiro, tem sido bem desempenhado pelos bombeiros, é a “evolução do pré-hospitalar”. “Temos preparado pessoal, em termos de formação, para enfrentar o trabalho que é avaliar e prestar todo o apoio a um sinistrado ou a um doente”, garantiu.

Ao longo de 30 anos de história enquanto bombeiro, o comandante vila-realense não demora mais que alguns minutos para retirar do seu álbum pessoal de memórias alguns momentos positivos e negativos marcantes da sua ‘carreira’. Apesar de sublinhar que pela positiva destacam-se todos os momentos em que a sua corporação conseguiu atingir os objectivos para que foram chamados, sejam eles quais forem, o comandante fala com especial carinho do facto de ter vivido o centenário da corporação na liderança do comando.

O socorro dos violentos acidentes no IP4, alguns com elevados índices de mortalidade, ou os incêndios de 2005, que exigiram por parte dos bombeiros “um grande esforço” pessoal, são alguns dos momentos marcantes pela negativa. No entanto, Álvaro Ribeiro recorda em especial uma operação de socorro em que participou ainda nos seus primeiros anos como bombeiro, nomeadamente um deslizamento de terras ocorrido no final de Dezembro de 1981 em Cavez, concelho de Cabeceiras de Basto, que deixou 22 pessoas soterradas num café, das quais 15 acabaram por falecer. “Para mim foi muito marcante. Estiveram na operação várias corporações de Vila Real e Braga, sendo que na altura as condições de trabalho nos corpos de bombeiros eram reduzidas”, recorda.

Apesar de hoje haver muitas mais condições para a sua actuação que aquelas que encontraram os bombeiros que socorreram as vítimas do fatídico domingo de Cavez, Álvaro Ribeiro defende que a essência da actividade de bombeiros é a mesma. “Tenho um amigo, que também está ligado aos bombeiros, o José Alberto, presidente da Assembleia Geral dos Bombeiros do Peso da Régua, que costuma dizer que na actividade dos bombeiros tem que se viver com romantismo. Eu estou completamente de acordo”, explicou.

Álvaro Ribeiro vai receber a menção honrosa no próximo dia 29, em Aveiro, durante as comemorações de mais um Dia Nacional do Bombeiros.

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