Sábado, 4 de Dezembro de 2021

Concursos para maiores obras ficam repetidamente desertos

A Câmara de Bragança tem lançado vários concursos para as maiores obras de um pacote de 25 milhões de euros que ficam repetidamente desertos por as empresas não conseguirem recrutar mão-de-obra, destacou hoje o presidente, Hernâni Dias.

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De acordo com o autarca, “para as obras pequenas tem havido” interessados, mas, para aquelas de maior valor, surge “uma dificuldade enorme, que é esta questão, que está devidamente identificada por toda a gente, da falta de empresas que peguem nestas empreitadas”.

“Nós temos tido alguns empreiteiros que ficam com obras relativamente mais pequenas e que depois questionamos porque é que não concorrem às grandes e a resposta que nos dão é: nós não temos trabalhadores nem conseguimos recrutá-los para fazer as obras grandes”, afirmou à Lusa.

Para tentar contornar as dificuldades, o município tem dividido as empreitadas em lotes, mas, ainda assim, sem sucesso.

Um caso apontado pelo autarca foi a obra de cerca de três milhões de euros para a mobilidade sustentável.

“Já é quarta ou quinta vez. Da última vez conseguimos apenas adjudicar um lote de mais baixo valor, à volta de 600 mil euros”, concretizou, apontando outro exemplo da empreitada da ecopista que Bragança vai partilhar com Macedo de Cavaleiros e Mirandela, no antigo canal da Linha do Tua e que já foi a concurso “três ou quatro vezes”.

Hernâni Dias contou que o município já teve de lançar várias vezes concursos para a reabilitação de edifícios na zona histórica destinada à instalação de serviços públicos, como as Finanças, e habitação para jovens casais.

“Estamos a fazer sempre concursos públicos internacionais, já numa perspetiva de haver empresas que possam pegar nestas sobras, porque, efetivamente, tem-se notado uma dificuldade enorme de resposta da parte do tecido empresarial”, acrescentou.

As exceções, segundo o autarca, foram as intervenções em curso nas avenidas Sá Carneiro e João da Cruz, que “envolvem muito granito e há empresas que têm alguma facilidade”.

“São empresas de construção que têm pedreiras e conseguem ter uma capacidade concorrencial bastante melhor, porque já têm a componente da própria produção de pedra”, indicou.

Em construção está também a circular interior de Bragança, uma obra de cinco milhões de euros, para ligar a Avenida Abade de Baçal à Rotunda do Nerba, no Alto das Cantarias.

Nos próximos dias, a autarquia irá lançar o concurso para construção do Museu da língua Portuguesa, a maior obra prevista no valor de nove milhões e euros.

Todas estas empreitadas, assim como em ruas e bairros da cidade, fazem parte do programado no PEDU (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano), com 17,6 milhões de euros assegurados por fundos comunitários para intervenções na mobilidade urbana sustentável, ação para as comunidades desfavorecidas e reabilitação urbana do edificado.

No final de 2020, o presidente da câmara perspetiva que as maiores obras estejam concluídas, nomeadamente aquelas que mais transtorno causam à mobilidade, mas outras começarão, como a intervenção na Praça Camões, para criar faixas e melhorar a circulação na atual calçada.

O presidente reconhece que os cidadãos pensam que as ruas estão sempre a ser abertas e reparadas, como aconteceu na Rua Nova, renovada no Verão e já toda refeita por causa de uma infiltração de água que pôs o piso às ondas, atribuída ao entupimento de um coletor.

Todavia, ressalvou que “há muitas coisas que não são abertas pela câmara, mas por empresas de telecomunicações, eletricidade e outros serviços.

“Nós às vezes rebentamos ruas para não impedir que as pessoas tenham acesso aos serviços”, sublinhou, adiantando que, para evitar estas situações, nas novas obras estão a ser instaladas já infraestruturas para que, no futuro, os prestadores de serviços consigam fazer esse trabalho sem rebentar ruas.

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