O Conservatório Regional de Música de Vila Real celebrou na terça-feira a passagem de mais um aniversário, com um dia aberto repleto de atividades, abrindo as suas portas a toda a comunidade, possibilitando-lhes o contacto com vários momentos musicais protagonizados por alunos e professores. Neste “Open day”, a instituição mostrou a sua vitalidade e a importância de onde tem saído alunos que depois se projetam no mundo musical.
José Costa Leite, diretor executivo do CRMVR, abordou a sua função e o atual momento da instituição, que, com a extinção da Fundação que a regia, se prepara para novos desafios. “Até 31 de agosto, o CRMVR regia-se por uma Fundação em que tinha um conselho de administração e dois vogais. Até 31 de agosto, exerci a função de vogal executivo da administração. Depois de uma reorganização financeira e funcional, aceitei desempenhar estas competências”.
Atendendo à nova legislação e com a extinção da Fundação e o enquadramento de apoios que tinha até então, através do Ministério da Educação e outros fundos comunitários, o seu conselho de administração entendeu propor ao principal fundador a extinção da Fundação e a sua transformação numa associação de cariz cultural, sem fins lucrativos, que se passou a chamar Conservatório Regional de Música de Vila Real -Associação Cultural. Porém, manteve o seu patrono, o comendador Manuel Correia Botelho.
José Costa Leite não teve pejo em assumir o êxito do projeto. “É uma aposta ganha em todas as vertentes, e a cidade e a região podem testemunhar isto mesmo. Antes havia a Real Filarmonia, há nove anos surgiu o conservatório, com 120 alunos, mas neste momento já tem cerca de 400, abrangendo a iniciação até ao secundário. Ou seja, temos alunos desde os 5 anos até à idade adulta”.
Segundo este responsável, o CRMVR tem alunos que são financiados através de contratos com o Ministério da Educação e patrocinados pelo Programa Operacional de Potencial Humano, POPH, do Fundo Social Europeu. “Neste ano letivo, temos 384 alunos, destes 140 são apoiados pelo POPH, assim como 70 alunos do ensino supletivo também são apoiados pelo mesmo programa. Além disto, o Ministério da Educação tem celebrado connosco alguns acordos que apoiam 99 alunos na sua formação, pois o Ministério não tem uma escola pública de música. “Nós damos a parte técnica de música e os alunos fazem o restante trajeto escolar nas escolas públicas, com as quais temos um protocolo de colaboração, nomeadamente com o Agrupamento de Escolas Diogo Cão, Morgado de Mateus e Camilo Castelo Branco. No curso secundário temos 28 alunos. O nosso objetivo é alargar o ensino secundário porque dá a possibilidade aos alunos de seguirem para os cursos superiores de música”.
As principais áreas do conservatório vão desde a formação musical, classes de conjunto e os diversos instrumentos de corda, sopro e percussão. Ao nível da cidade, para além de diversos concertos, participa em animação da cidade e são solicitados por diversas instituições públicas e privadas. Neste momento, “temos uma parceria com as escolas de 1º Ciclo e dos outros ciclos, em que fazem periodicamente visitas ao Conservatório, para terem contacto com a música”.
Alunos, empregabilidade e…desertificação da cidade
Costa Leite salientou que no aspeto cultural a instituição é importante para a cidade e região, mas também na área da empregabilidade. “Nós temos alunos de todas as origens de Trás-os-Montes e do Douro Sul. Ao nível de emprego temos cerca de 40 professores e 3 funcionários, mais dois auxiliares e uma técnica superior de audiovisuais e relações públicas. Além disto, o Conservatório tem um papel importante ao evitar a desertificação do centro histórico da cidade. Nós funcionamos desde as 9h00 às 21h00, inclusive no sábado de manhã. Assim sendo, um espaço da cidade ameaçado de desertificação, como a Avenida Carvalho de Araújo, fica com mais vida com os jovens e seus os pais a virem para este local da cidade”.
José Costa Leite adiantou algumas novidades para o futuro. “Vamos apresentar uma área nova, o Jazz, ainda não será matéria de currículo do conservatório, mas vai ser disponibilizado um curso por um antigo aluno nosso, e já apresentado ao público anteontem. Temos um outro curso que vai ser livre, o curso de gaita-de-foles que foi proposto por outro ex-aluno de Miranda do Douro. Temos ainda em perspetiva um curso de acordeão, que deve começar em 2014, logo que haja condições para isso”.
Orquestra Regional e gestão de rigor
Este responsável sublinhou uma novidade que pode surgir a médio prazo que passa pela criação de uma Orquestra Regional Transmontana. “É uma ideia que poderia incluir o Conservatório Regional de Vila Real, bem como outras escolas de música da região transmontana, nomeadamente de Chaves, Piaget de Mirandela e Bragança. Poderia ser um elemento importante para mostrar aquilo que melhor se faz na região e articular com outros polos de ensino”.
Num breve comentário sobre a situação financeira da instituição, José Costa Leite assegurou que “o passivo está resolvido”. “Quando viemos para aqui no ano passado, no início do ano escolar, estávamos numa situação extremamente difícil de sustentabilidade financeira mas terminamos o ano letivo sem problemas. Todo o passivo foi solucionado e com o saldo positivo anual com dezenas de milhares de euros”. Todavia, deixou uma nova constatação de constrangimento. “Porém, estamos a começar o ano com dificuldades de tesouraria, porque, como a Fundação foi extinta e é ela que tem um capital, este, por determinação dos sócios, passará para a nova associação. Só que enquanto não estiver feita a liquidação da Fundação, esse capital não é possível transitar, daí termos começado o ano letivo quase a zero e isso implica algumas dificuldades iniciais nos 3 primeiros meses, que calculo que se prolonguem até dezembro.
Para o futuro e mediante os apoios e contratos institucionais, o CMRVR não terá problemas financeiros sempre baseado numa gestão rigorosa. As propinas passam por 35 euros mensais para pré-iniciação até aos 160 euros (durante 10 meses) a cobrar aos alunos do secundário.
José Costa Leite deixou a promessa que o Conservatório poderá ajudar os alunos de famílias mais carenciadas a suportar os custos com as aulas.
De referir ainda que, a Câmara Municipal de Vila Real é também um parceiro importante neste projeto pois cede o edifício onde a instituição está sedeada.



