António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Construir a paz (XV)

Em momentos vários, com palavras diferentes, proferidas por personalidades diversas, mas todas com impacto mundial, nos últimos dias chegou-nos este pensamento. Construir a paz será, cada vez mais, obra ingente, mas que depende de todos. Um reino de paz, uma república de paz. O califado que uns tantos querem reconstituir deveria ser também um espaço, um território de paz. Utópico? Porventura. Mas até quando teremos que nos sentir ameaçados na nossa terra, no café onde nos encontramos com os amigos, na sala de espetáculos em que ouvimos a nossa banda preferida, enfim, na nossa própria casa?

Vivemos um tempo em que os acontecimentos se globalizam num instante, em que as redes sociais difundem as notícias de atos de terror, divulgam imagens de um assalto, de um atentado conseguido, de um kamikaze que não o chegou a ser porque um tiro “lhe abriu no corpo um grande buraco” e um enfermeiro tentou reanimá-lo, sem saber que estava a tratar um homem que tentou ser um suicida, e levaria com ele pacatos cidadãos que resolveram encontrar-se com amigos num café de Paris, a cidade das luzes. Nem mais. A cidade onde se proclamou uma república sob a bandeira da “liberdade, igualdade e fraternidade”, na sequência do iluminismo, foi palco de atentados simultâneos que

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