Os dados hoje apresentados, em Lisboa, no âmbito do lançamento do Movimento Saúde em Dia, promovido pela Ordem dos Médicos (OM) e pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), mostram que, no primeiro semestre deste ano, se realizaram menos 3,8 milhões de consultas presenciais nos cuidados de saúde primários comparativamente ao período homólogo de 2019, enquanto nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde foram feitas menos 902 mil consultas.
As duas entidades manifestam preocupação com os dados relativos ao número acumulado de doentes que não têm acesso a consultas, cirurgias, exames, internamento ou mesmo urgências na sequência da pandemia da Covid-19.
O bastonário da OM, Miguel Guimarães, refere que a situação “se pode agravar nos próximos meses, uma vez que existem doentes sem acesso a consultas desde março, que ainda não começaram a ser tratados e não há um verdadeiro plano de retoma”.
Segundo os dados, a redução de 902 mil consultas hospitalares representou uma quebra de 22% nas primeiras consultas hospitalares e de 11% nas consultas subsequentes.
Nas urgências hospitalares assistiu-se a uma redução de 27% de episódios no primeiro semestre, o que significa menos 839.436 episódios do que em 2019.
Também as cirurgias tiveram uma quebra significativa, com a realização de menos 27% de intervenções, adiantam os dados apresentados pelas entidades, que apontam ainda uma redução de 30% das cirurgias programadas e de 10% das operações urgentes.
Segundo os dados oficiais, o número de teleconsultas aumentou 40% no primeiro semestre deste ano.
"Os centros de saúde continuam com atividade limitada pela Covid-19”, afirma Miguel Guimarães, acrescentando que "os contactos diretos com o doente têm sido muito baseados numa suposta telemedicina e por contactos breves, o que não permite ter acesso à imagem completa do utente".
“É preciso começar a tratar os doentes que ficaram pendentes desde março, é preciso que os doentes não tenham medo de ir ao SNS e que o SNS lhes dê todos os acessos possíveis. Os doentes não podem achar que uma consulta em telemedicina é o mesmo que uma consulta presencial”, defende.
A APAH e a Ordem dos Médicos consideram que “não se deve descurar a Covid-19”, mas insistem que “a saúde é muito mais do que a pandemia”, pelo que é importante estar atento a todas as outras doenças.



