Vila RealCrise já chegou às feiras semanais

Crise já chegou às feiras semanais

A “Feira dos Farrapos”, em Lordelo, deixou de ser a árvore das patacas para muitos feirantes e uma pechincha para quem comprava. É a tão apregoada crise a bater à porta de um comércio que habitualmente fintava os constrangimentos financeiros, mas que agora também foi atingido. Muitos comerciantes garantiram que no sector do vestuário e do calçado as quebras nas vendas ultrapassam os 80 por cento.

“As vendas de dois dias de feira em Vila Real já não chegam para fazer face às despesas de muitos vendedores ambulantes”, garantiu, ao Nosso Jornal, António Teixeira, um dos habituais feirantes de Lordelo. Uma frase que retrata bem o estado em que se encontram as tradicionais feiras semanais de Vila Real, onde se vê cada vez menos gente a comprar e mais comerciantes a queixarem-se da crise.

Na sexta-feira, o Nosso Jornal tomou o pulso à feira de Lordelo, onde constatamos que esta actividade está atravessar grandes dificuldades, depois de ouvirmos alguns comerciantes. Aliás, alguns feirantes já abandonaram mesmo o negócio. Um traço comum e transversal é patente e explica esta situação. As reduções nas vendas e as despesas obrigatórias com a actividade são os motivos para os feirantes deixarem o negócio. José Meneses, residente em Penafiel, dedica-se ao negócio do vestuário, e há cerca de 30 anos vem às feiras semanais de Vila Real, mas nunca sentiu a crise como agora. “Sou um dos mais antigos deste mercado e tenho sentido a crise aqui em Vila Real e em outros mercados da região. É uma realidade tremenda, notamos que as pessoas não têm dinheiro. Há quebras de mais de 80 por cento nas vendas, o que torna o negócio insuportável”, sublinhou.

 

Comerciantes pedem redução de taxas municipais

 

José Meneses aproveitou para deixar um apelo. “É preciso que a Câmara de Vila Real reduza o preço do espaço na feira, porque já não aguentamos as despesas. É muito caro, embora os valores já se mantenham há algum tempo”.

Uma outra feirante, Maria Silva, da Régua, também se queixou das taxas que tem de pagar à autarquia. “Pago 150 euros por mês à Câmara pelo espaço. Primeiro ainda se aguentava, mas agora está muito difícil. Em breve, muitos comerciantes deixarão de vir a esta feira. Quem vem à feira são as pessoas mais pobres e também a classe média. Os pobres vêm cada vez menos e a classe média tem menos dinheiro”.

O próprio vice-presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes, Joaquim Pereira, assumiu publicamente a crise do sector, referindo que as pessoas estão a comprar menos roupa e calçado, e privilegiam o preço baixo em detrimento da qualidade, o que leva muitos comerciantes a optar por vender produtos muito baratos mas de menor qualidade.

-PUB-


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais lidas

PRÉMIO