A tradição ainda é o que era. Mais uma vez, a romaria de Santa Luzia despertou o interesse de muitas pessoas de Folhadela e de outras freguesias que rumaram até Vila Nova. Os “pitos” foram a atracção da festa e quatro doceiras montaram as barracas e venderam os seus bolos conventuais. “Este ano não temos grandes razões de queixa, vendemos bem e o mau tempo acabou por não complicar”, contou, ao Nosso Jornal, Augusta Silva. Contudo, uma ameaça perdura sobre esta tradição. “Cada vez há menos gente que aparece a vender na romaria, e se isto caminhar assim, qualquer ano acaba”, acrescentou.
A tradição doceira dos Pitos de Santa Luzia não se resumiu a Vila Nova. As pastelarias da cidade aderiram à tradição, e tiveram de aumentar o seu fabrico para corresponder ao aumento da procura. Antigamente, era habitual as jovens namoradeiras aproveitarem o dia para entregar este bolo aos seus apaixonados, esperando pela retribuição deles a 3 de Fevereiro, com as “Ganchas de S. Brás”.
Fazendo fé nos documentos, a origem deste doce conventual começou quando uma noviça devota de Santa Luzia, orago dos cegos, usou quadrados de pano-cru e dobrou as pontas, colocando no seu interior farinha e pachos de abóbora, em vez de pachos de linhaça destinados aos curativos. Na escuridão da sua cela, comeu os pachos doces sem sentir remorsos, pois tinha ouvido dizer: “do que não se vê, não se peca”.
Dê referir que, Santa Luzia é a esperança de muitos devotos para a cura de doenças dos olhos e destino de muitas preces.




