Nunca poderei esquecer os anos de 1953 e de 1958. Em 1953 vinha eu de comboio para o seminário. Depois das sonolentas curvas de Loivos, já perto da paragem de Sabroso de Aguiar, deitei a cabeça de fora. O vento agravou a minha inocência: levou-me o chapéu que trazia enfiado na cabeça. Imprudentemente fui buscá-lo na 1ª paragem. Mas perdi o comboio e a mala.
Em 1958, assisti, aí, em cinemascope ao último Tango em Paris, com Sarita Montiel (1928-2013).
No último sábado voltei ali para falar e ouvir falar de cultura viva, no auditório da Stª Casa da Misericórdia. Recebeu-nos o Doutor Paulo Pimenta, adjunto do Presidente da Câmara. Foram quatro os palestrantes, apresentados pelo anfitrião, Dr. Luís Carvalho que abriu a sessão para agradecer a presença da Câmara e o apoio que deu para que este VIII encontro do Fórum Galaico-Transmontano, decorreu em ambiente salutar, fecundo no que se viu, no que se sentiu e se ouviu. Coube-me falar da Saga da Santidade de D. Afonso Henriques, um tema novo com idade velha, tão velha como o início da nacionalidade. Perdi o respeito pela pureza da linguagem. E acusei, de cima para baixo, os profissionais de História que andam há quase nove séculos a falar dela mas nenhuma ou quase nada adiantam ao que se sabe e se diz desde 1096, ano em que o Conde D. Henriques, recebeu, como prenda de casamento com D. Teresa, o ressuscitado Condado Portucalense. Ele já existira desde 868, como prenda a Vímara Peres pela batalha da reconquista cristã. Durante 203 anos (868-1071), continuara com território do Reino de Leão e Castela. Tivera nesse período nove titulares, o último dos quais Nuno Mendes que na Batalha de Pedroso, travara luta acesa com as tropas de Rei Garcia. Este tinha um poderoso exército e foi-lhe fácil vencer e matar o atrevido conde Nuno Mendes. Esse condado foi reintegrado no Reino da Galiza, desde 1071 até 1096.
Com aquele casamento o Conde D. Henrique, novo inquilino do extinto Condado, reocupou as instalações que Mumadona Dias construíra. Nelas habitaram os Condes D. Teresa e seu marido. Com quase toda a certeza foi nelas que D. Afonso nasceu em 25 de julho (de 1109 ou 1111). Apenas daí saiu D. Afonso Henriques (para Coimbra, em 1131). O resto da História chegou até nós. Praticamente em versão única (embora com vários mitos e lendas). Almeida Fernandes tudo fez para se apropriar do «vazio» da História de Portugal. A Academia Portuguesa de História foi conivente com tamanha fraude. Ameaçou mudar os manuais escolares. Em 1728 foi publicada em latim uma tese doutoral que clarificou a verdade histórica. Em 2014 essa tese foi editada em Língua Portuguesa. Em 4 anos nenhum Historiador apareceu a contestar aquela fraude. Aproveitei esta manhã sombria de julho para questionar tanta ignorância, existindo provas concludentes.



