Segundo as disposições canónicas, o Bispo diocesano, ao completar 75 anos de idade, deve manifestar ao Papa a disposição para deixar o governo da diocese, seguindo-se, se o pedido for aceite, um período de tempo para a eleição do novo Bispo. Em Vila Real o senhor D. Joaquim Gonçalves entendeu antecipar para o início de Abril aquele pedido, desejando que a sucessão se fizesse logo que completasse 75 anos, uma vez que já há três anos havia tomado posse canónica da diocese como Bispo Coadjutor (hoje sempre com direito a sucessão) o senhor D. Amândio Tomás.
Tendo o Papa aceite o pedido, o novo Bispo entrou imediatamente em funções.
Em declarações à comunicação social, D. Amândio Tomás disse: «Assumo o governo da Diocese sem surpresa e com confiança: sem surpresa, porque, ao tomar posse canónica como Bispo Coadjutor, sabia que, mais dia, menos dia, este era o caminho normal das coisas; e com confiança, porque conheço as pessoas e as estruturas e espero delas uma colaboração leal, sobretudo do clero diocesano».
D. Joaquim Gonçalves confessou: «Deixo o governo diocesano em paz e alegria: em paz, porque algo se fez na educação da fé do povo e na melhoria do património diocesano, e ainda porque a transmissão do poder se processa sem sobressaltos, sendo o meu sucessor um filho da diocese com variada experiência sacerdotal, estimado pelo Clero e pelo povo de Deus.
Da minha parte, há ainda a alegria de sentir que, após trinta anos de episcopado, com muito trabalho e doenças graves pelo meio, a Providência de Deus parece reservar-me um Outono com alguma saúde.
«A partir de hoje, entro num período de maior discrição, ainda que eu nunca haja sido pessoa de muitos microfones. Ao passar a emérito, um bispo deixa fundamentalmente a tarefa de governar, que é indubitavelmente a mais delicada e mais cansativa. Mantém, porém, em plenitude o ministério da Palavra e da Santificação, as actividades que a Bíblia define como centro do ministério apostólico: «quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da Palavra» (Act 6,1-7). A situação de bispo emérito tem alguma coisa de Outono: um tempo de meditação, de fazer passar pelo coração o que se viveu, mas que é, também, tempo de outra sementeira».
Na diocese continuarei disponível para aquilo que eu possa fazer e o Bispo diocesano me solicite».



