Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Levi Leandro
Engenheiro. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Demagogia feita à maneira é como queijo numa ratoeira…

É o refrão de uma canção que Lena d’Água compôs em 1982, chamada “DEMAGOGIA”, onde uma outra parte da letra diz: “aproveitam todo o espaço que lhes oferecem na rádio e nos jornais e falam com desembaraço como se fossem formados em falar demais”.

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  Rui Santos deu uma entrevista à VTM em 20/12/18, que merece, em alguns pontos, uma análise com rigor.

  É um facto que quando o PS chegou ao poder no nosso concelho, se deparou com uma autarquia financeiramente saudável. No 1º trimestre de 2014 recebeu o município de obras já realizadas, vários milhões de euros de fundos comunitários, ficando com um fundo de maneio na ordem de 2500000€.

1- No seu 1º mandato à frente da autarquia, Rui Santos disse, “cumprimos escrupulosamente todos os compromissos que havíamos assumido com os vila-realenses”, colocamos em funcionamento o Regia Douro Park (PSD), a Loja Interativa de Turismo (PS), passando pela instalação de três campos de futebol de relva sintética (PS), a diminuição do preço da fatura da água (diminuiu? PS), o regresso das Corridas (PS), a conclusão (ambas PSD) do Centro Escolar do Douro e do Terminal Rodoviário, destas obras as mais relevantes foram da responsabilidade do PSD. Para a dinamização económica do concelho, afirmou “instalaram-se algumas empresas privadas, que representam centena(s) de postos de trabalho”  Cinco anos de mandato e com cerca de 150 milhões de euros de orçamentos, convenhamos que foi pouco.

2- Hotel do Parque, “aí está mais um exemplo dos últimos cinco anos que permitirá resolver um problema com mais de 30”, continuando Rui Santos, “a resolução daquele problema tinha sido um compromisso meu e vai ser cumprido, como os outros, custe a quem custar”. Sr. presidente, não resolveu coisa nenhuma, pois quis o destino que fosse o Tribunal de Vila Real, através de um processo judicial e um empresário de Bragança, que em leilão lançado pelo mesmo tribunal adquiriu o “imóvel”, a CMVR só pode aprovar o projeto de construção que o empresário apresentar à autarquia.

3 – Em relação à discriminação na atribuição de contratos programa às juntas de freguesia, o sr. presidente afirmou, “o PSD deve pensar que nós fazemos o que eles faziam quando estavam na Câmara Municipal”, continuando, “quer um número engraçado, em 2013, ano de eleições autárquicas e último ano do PSD na Câmara, as freguesias do PSD receberam 451.370€ para investimentos e as do PS apenas 31.500€”. Sr. presidente se fizer contas verificará que as freguesias PS, receberam 6,5% do valor total, mas se reparar em 14 meses do seu mandato, atribuiu às freguesias PS 1 082 500€ e às do PSD 17 500€ que corresponde a 1,6% do valor total, “quatro vezes menos que o valor recebido pelo PS em 2013”. Afinal e utilizando as suas palavras, os senhores fazem muito pior que o PSD, sendo revelador a sua discriminação partidária, que é mais acentuada e até parece pessoal, quando se constata que em cinco anos da sua governação, Parada de Cunhos recebeu ZERO € em CP.

4 – O sr. presidente disse que prescindiram do empréstimo de três milhões de euros, para financiamento de obras do PEDU. Como sabe este empréstimo foi “devolvido” pelo Tribunal de Contas, por não terem feito bem o trabalho de casa. Diz também o sr. presidente que, em 2012, a autarquia perdeu cerca de 10 milhões de euros, para a criação da nova zona empresarial. Estranho a “perda”, ainda por cima na altura, o vereador responsável pelo pelouro, é um atual presidente, de uma das “suas” empresas municipais, criteriosamente escolhido por si, mas não consensual na sua task force…

Sr. Presidente, considero-o um bom orador e o único político (do PS) na CMVR, mas também acho que o seu estado de graça, está a desvanecer…, não sei se “é formado em falar demais”, mas esclareça os munícipes com rigor, pois espero que os vila-realenses não comam mais o queijo da sua ratoeira…

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