Como diz o povo, “tudo está bem, quando acaba bem”. Este ditado pode definir o que aconteceu com uma jovem de 13 anos que, durante a tarde do último feriado, andou desaparecida, quase seis horas, na zona de Matosinhos. Foi encontrada numa garagem de um condomínio. Algum desequilíbrio familiar pode ter estado na origem deste incidente.
A viagem começou às 7.30 horas da manhã, com a saída de Valpaços. Os cerca de cem alunos rumavam ao Porto, para assistirem a uma peça de teatro e fazerem uma visita à praia. Foi nesta altura que a falta da Ana Isabel foi notada. Segundo Sandra Capela, de 13 anos, aluna e presente na visita, “professores e alunos organizaram, de imediato, grupos de busca. Estiveram sempre calmos, embora preocupados, pois não sabiam da colega, mas os professores ajudaram a manter a calma, em todo o grupo”.
Todavia, esta aluna ficou “surpreendida pela atitude da Ana”.
“Na viagem, não notei nada de anormal”. Porém, deixou uma queixa. “Ficámos bastante indignados com o que ouvimos de uma senhora de um café, acusando os professores de nada terem feito. Uma mentira. O meu colega, quando a confrontou com a mentira, acabou por ser expulso do café”, rematou.
A Presidente do Conselho Executivo, Olema Gonçalves, bem como o Vice-Presidente, João Afonso, foram, de imediato, com a mãe da pequena desaparecida, para Matosinhos.
Este fez questão de salientar “a forma como os professores e os alunos foram acolhidos, pela Câmara Municipal de Matosinhos, no parque de campismo de Lavra, onde estavam psicólogos, à espera das crianças, tendo-lhes sido fornecido um jantar, bem como o espaço para descansar e descomprimir”.
No período da ausência da Ana, viveram-se horas de angústia, como o Nosso Jornal apurou. “Liguei, de imediato, para o meu filho, para saber o que se passava. Não podia ser ele que tinha desaparecido, tínhamos falado há pouco, mas não me disse nada, para não me preocupar. De qualquer forma, houve crianças que ligaram aos pais, a chorar” – contou Antónia Adelino, uma das encarregadas de educação.
Demoraram, mas chegaram. Eram, sensivelmente, 3.45 horas, quando os dois autocarros da empresa Tâmega pararam, diante da Escola E.B 2 e 3 Júlio Carvalhal. À sua chegada, dezenas de pais e encarregados de educação receberam, com alívio e alegria, as crianças.
De referir que a Ana Isabel é descrita por todos, quer colegas quer professores, como uma criança triste: “tanto ela como a irmã são crianças tristes. É normal os miúdos terem os seus dias tristes, mas estas meninas parece que sofrem de tristeza crónica” – referiu José Cardoso, docente na Escola.
A esta situação não é alheia a situação familiar que vivem, estando as meninas (que são gémeas) a viver só com a mãe, pois o pai encontra-se, neste momento, “privado de liberdade”.
Amável Barreira, tio da mãe de Ana Isabel, criou as duas gémeas, Ana Isabel e Catarina, até aos cinco anos, em sua casa.
“Foi uma vida difícil, já que a mãe, de personalidade triste, era a única que trabalhava, como funcionária da Secretaria da Escola E.B 2 e 3 Júlio Carvalhal. Mas notei, sempre, na Ana, muita tristeza. Falava pouco, olhava muito para o chão e tinha uma mania em não aceitar roupa de mulher. Dizia que queria ser rapaz e só gostava de usar roupa masculina. Ainda bem que foi encontrada, foi um alívio. Agora, era preciso que tratassem delas e da mãe que deve estar a passar muito mal”.
Ao que apurámos, na própria praia a Ana terá dito à sua irmã para fugir, também, consigo, afastando-se, de seguida. Também na escola, uma das suas colegas contou, na noite do seu desaparecimento, que a Ana já tinha dito que ia estar uns dias fora.
A menina regressou à sua terra, no dia seguinte, conduzida por dois agentes da PJ.
Jmcardoso





