No lado oposto, num território muito mais vasto, mas interior, assiste-se a uma crescente desertificação e a um progressivo abandono dos terrenos de cultivo. Enganou-se quem pensou que uma boa rede de infra-estruturas rodoviárias serviria, por si só, de motor para inverter o aumento da pobreza e das desigualdades nesses territórios cada vez mais abandonados à sua sorte. Esqueceram-se que as estradas trazem, mas também levam. E levam mais do que trazem quando esses territórios não oferecem perspectivas de emprego aos seus residentes e quando não se vê uma estratégia nacional, assente em medidas de discriminação positiva que incentivem os empresários a fixarem-se e a criarem emprego nas cidades do interior.
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