Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Despertemos vocações

São muitas as causas que se apontam para o decréscimo das vocações.

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Uma que é incontornável é a baixa natalidade. Se a natalidade baixou drasticamente, as vocações, obrigatoriamente, também baixaram. Decisivas são, sobretudo, as causas culturais e da mentalidade dominante do tempo atual: a secularização da sociedade (viver sem qualquer referência ao religioso, ao espiritual e ao transcendente); o individualismo e consequentes subjetivismo e relativismo, proclamando-se um claro antropocentrismo, o homem e só o homem e seus interesses e desejos no centro de tudo, em detrimento da abertura aos outros e a Deus; o descrédito nos compromissos vitalícios; a falta de fé e de vivência espiritual ou a sua deficiente formação e vivência, a falta de valores espirituais, não frequência dos sacramentos e participação na vida da Igreja; débil interpretação do celibato, vulgarmente entendido como castrador e fonte de solidão e de atrofia existencial; caricaturização e crítica injusta permanente ao padre e despromoção social do estatuto do clérigo; cultivo do gozo e do sarcasmo à volta do ser padre e dos conteúdos e das práticas religiosas; uma conceção exageradamente materialista e hedonista da vida; desconsideração e secundarização da religião; ausência de uma cultura de vocações em muitas paróquias. É toda esta «descultura» para as vocações que os cristãos têm de se empenhar por transformar.

Há duas instituições que perderam o seu papel charneira no fomento das vocações: a família e a comunidade. Sem uma ação concertada e complementar destas duas instituições dificilmente se pode dar um forte impulso às vocações. Só em famílias em que se cultiva a fé, a oração, a escuta da Palavra de Deus, a participação nos sacramentos e na vida da Igreja, a piedade, o testemunho coerente e alegre da fé é que podem surgir vocações sacerdotais consistentes. Muitas comunidades cristãs estão apáticas e estáticas, tradicionalistas e rotineiras, sem dinamismo genuinamente renovador, liturgistas, festeiras, mas sem fervor espiritual, alheias aos sinais dos tempos, sem vontade de mudança e sem abertura à novidade, com pouca preocupação na interação com os jovens e com o testemunho e a evangelização. Há muito a fazer em muitas comunidades cristãs para se proporcionar o despertar de vocações. 

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