“Se as portagens foram prejudiciais para Vila Real? Isso é óbvio, só não vê quem não quer”, defendeu Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, que, numa altura em que se assinala dois anos da introdução das portagens nas ex-SCUT, incluindo a A24, defendeu que não se trata de uma batalha perdida e que é importante “continuar a lutar”.
Em dezembro de 2011, várias autoestradas projetadas inicialmente como infraestruturas Sem Custos para o Utilizador (SCUT) passaram a ser portajadas, entrado no rol, além da A24, entre Viseu e Chaves, classificada como Concessão do Interior Norte, a A22, que integra a Concessão do Algarve, a A23 (entre o nó com a A1 e o nó Abrantes Este, e na restante a Concessão da Beira Interior), a A24 e a A25 (que integra a Concessão da Beira Litoral/Beira Alta).
Na altura, o Governo avançou com um sistema de descontos destinado “a pessoas singulares e a pessoas coletivas que tivessem residência ou sede na área de influência das autoestradas abrangidas, ficando isentas do pagamento de taxas de portagem nas primeiras 10 transações mensais e usufruindo depois de um desconto de 15 por cento no valor da taxa de portagem aplicável em cada transação.
O regime de isenções era válido até ao final e junho de 2012, tendo sido depois prolongado por mais dois meses. Depois, e apesar de várias manifestações, que incluíram o envio de postais ao Governo, a realização de buzinões e marchas lentas e ações de sensibilização, as portagens passaram a ser pagas na íntegra.
Para Rui Santos, o balanço destes dois últimos anos é claro: “Foi uma decisão negativa que em nada contribuiu para resolver a situação económico-financeira do país porque as compensações indemnizatórias que o Governo teve que pagar às concessionárias superaram, em muitos casos, aquilo que é a arrecadação de receitas fruto da passagem dos cidadãos nessas autoestradas.”
“Por exemplo, o conceito da Cidade do Douro (Vila Real, Peso da Régua e Lamego) ficou muito comprometido e todos os nossos empresários, sem exceção, vão dizendo que o fluxo de mercadorias e de pessoas foi drasticamente reduzido”, garantiu.
O autarca sublinhou ainda que a “diminuição muito significativa do tráfego” na via portajada foi provocado pela ‘fuga’ dos condutores para as estradas nacionais, uma situação que põe em causa também a segurança rodoviária, uma vez que as estradas nacionais “não têm tido o investimento de conservação adequado”.
“Não considero que haja batalhas perdidas. Devemos continuar a lutar. Se houver racionalidade e inteligência, essa decisão será inevitavelmente revogada”, defendeu Rui Santos.
A24 perdeu 500 veículos por dia
Os últimos dados estatísticos disponibilizados pelo Instituto de Infraestruturas Rodoviárias (INIR) revelam os números do segundo trimestre deste ano, altura em que uma média de 3.614 veículos por dia passaram na A24.
Comparativamente com o mesmo período do ano passado (abril, maio e junho), o Relatório de Tráfego demonstra que aquela autoestrada perdeu uma média de 500 carros por dia.
De recordar que, a A24, que liga Chaves a Viseu, tem ao longo de toda a sua extensão 14 pórticos de cobrança de portagens, sendo necessário um investimento total de 14 euros (classe 1) para a percorrer na íntegra.



