Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021

“Disseram-me que estava sujeita a aparecer morta”

O testemunho de uma vítima de violência doméstica que, sem medo, decidiu contar a sua história e experiência, para incentivar outras mulheres e/ou homens a denunciar os maus tratos a que estão sujeitos e mostrar que existe outro caminho, o da felicidade

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“Maria” namorou 10 meses com aquele que, posteriormente, viria a ser seu marido. Estiveram casados 27 anos. Um casamento que, para “Maria”, se tornou um pesadelo assim que os papéis foram assinados. “As agressões começaram logo no início do casamento”, começou por contar. 

Foram anos de agressões físicas, ofensas verbais, abusos sexuais e ameaças com “uma arma apontada à cabeça”, até que um dia, sensivelmente há cinco anos, “Maria” foi parar ao hospital depois de o seu companheiro de longa data a ter agredido. 

“Foi aí eu disse que não queria mais isto para mim”, refere e, embora o marido lhe tenha pedido perdão, como fazia constantemente, “Maria” decidiu pôr um ponto final naquela situação. Apresentou queixa, prestou declarações, mas, segundo ela “ninguém fez nada”. Resolveu, então, arranjar ela uma solução.

“Aconselhei-me e disseram-me que estava sujeita a, um dia, aparecer morta”, referiu. É aí que conhece Brigite Bazenga Gonçalves, advogada a exercer em Chaves. 

“Quando ela veio ter comigo e me pergunta que direitos tinha se saísse de casa, percebi logo que havia ali uma situação de violência doméstica e de perigo de vida”, explicou Brigite Bazenga Gonçalves. 

“Maria” decide então sair de casa, no concelho de Montalegre, e muda-se para a aldeia de onde é natural, em Boticas. 

Até então, “Maria” acolhia idosos em casa mas, com esta situação, perdeu o trabalho e foi em busca de outra forma de sustento, uma vez que tinha os dois filhos a estudar, a mais velha em Bragança e o mais novo em Mirandela. Inicialmente trabalhou em Montalegre num restaurante e depois numa pastelaria em Boticas, onde o marido apareceu levando a que fosse despedida, “tal foi a confusão que armou”. 

“Sachei batatas, arranquei ervas, limpei ruas, passei a ferro, fiz limpezas, fui fazendo o que me aparecia para conseguir pagar os estudos aos meus filhos”. 

Entretanto, e continuando

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