Com o frio e o gelo de volta que já ameaçam o aparecimento das primeiras perturbações na circulação de pessoas e bens, as várias entidades vão-se preparando para o inverno que se aproxima. A zona do Barroso e Alto Tâmega são as mais sensíveis no distrito e as instituições disponibilizam meios de auxílio para intervir. Os concelhos de Boticas, Montalegre e Chaves são os mais fustigados pela neve.
“Quando a neve bloqueia ou as estradas estão com gelo, são os bombeiros que levam às pessoas, que vivem nas aldeias mais isoladas, a alimentação que é disponibilizada pela Santa Casa da Misericórdia, e asseguram que a comida possa chegar nas condições habituais a todos, proporcionando-lhes o único alimento quente que têm durante todo o dia”, referiu o comandante dos Bombeiros de Boticas, Arnaldo Machado, ao Nosso Jornal.
Para o inverno que se aproxima, “temos os nossos habituais meios humanos e materiais para ajudar na mobilização das pessoas, por exemplo”.
As aldeias localizadas a maior altitude, são as que merecem neste concelho mais atenção por parte da Proteção Civil. O presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, garantiu que serão assegurados todos os meios para que as situações que surgirem fiquem normalizadas o mais rapidamente possível. Refira-se que, a Câmara Municipal de Boticas adquiriu há 2 anos material de limpeza de neve, possuindo dois veículos operacionais e outros meios de atuação.
Ciente do efeito que o inverno provoca na mobilidade concelhia, a Câmara de Montalegre dotou as corporações dos bombeiros voluntários do concelho com três camiões limpa-neves. Dois estão na associação humanitária da sede do concelho e um na de Salto. Para além destes três novos camiões, o concelho possui mais uma dezena de máquinas para limpar a neve.
Os Municípios de Chaves, Ribeira de Pena e Valpaços também se têm munido de equipamento para atuar em condições climatéricas difíceis. O mesmo acontece nas respetivas corporações de bombeiros.
O IP4/Autoestrada Transmontana, principal ligação de Trás-os-Montes ao litoral, é vigiado 24 horas por dia pela concessionária Autoestradas XXI, que às vezes chega a dispor de seis limpa-neves e recorre a toneladas de sal para evitar acumulação do gelo. A propósito refira-se que estão também instalados dois silos de sal, um no distrito de Vila Real (250 toneladas) e outro em Bragança (200 toneladas), e existem vários pontos de fornecimento deste produto ao longo do IP4.
No que concerne ao concessionário da Autoestradas XXI, sempre que a temperatura na região baixa até aos três graus, entram em ação os limpa-neves, que espalham sal para evitar acumulação do gelo.
A prevenção é a melhor defesa
Com o intuito de melhorar a comunicação entre todos os intervenientes que têm a responsabilidade de garantir a segurança rodoviária nos distritos de Viseu e Vila Real, a Câmara Municipal de Lamego organizou o V Fórum Viabilidade Invernal, um projeto dinamizado pela entidade operadora da A24 – Operscut, que pretendeu minimizar as eventuais repercussões provocadas pela queda de neve e gelo ao nível da mobilidade das pessoas. O encontro contou com a presença de representantes das autoridades policiais (PSP e GNR), das entidades de socorro (corporações de bombeiros), bem como de operadores de autoestradas. Esta iniciativa teve a finalidade de pôr em prática algumas alterações ao nível dos procedimentos de prevenção e combate a episódios de formação de gelo ou queda de neve, bem como o reforço na troca de informações entre as várias entidades.
O Comandante Distrital de Operações e Socorro, Álvaro Ribeiro, contou, ao Nosso Jornal, que existe “um plano de segurança para o distrito, envolvendo os corpos de bombeiros, órgãos de proteção civil, câmaras municipais, forças de segurança, no sentido de organizar meios de socorro na eventualidade de estradas ficarem bloqueadas pela neve”. Este responsável sublinhou ainda que, este ano, caso haja necessidade, existirá uma célula em permanência no CDOS, que será ativada com elementos da empresa Estradas de Portugal, GNR, PSP, bombeiros e autoridade nacional de proteção civil para gerir melhor as situações”.
Álvaro Ribeiro acrescentou ainda que vão ser colocados rádios SIRESP – Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal – nos vários agentes de proteção civil. Os aparelhos serão usados em situações que envolvam neve, para articular melhor as ações em caso de ocorrência de uma necessidade. “As operadoras da A24, A7, A4 e Ip4 e IC 5 estão incluídas neste plano e, naturalmente, todos estamos interessados que corra tudo pelo melhor”, concluiu.
Uma outra área que os bombeiros apontam como preocupante são os sinistros resultantes da falta de cuidado no uso das várias fontes de calor. O próprio Álvaro Ribeiro pediu às pessoas para cumprirem as elementares regras de segurança, caso sejam aquecedores, aparelhos elétricos, lareiras ou braseiras. Aliás, um estudo efetuado em 2004, pela Universidade de Dublin, concluiu que Portugal era um dos países da União Europeia onde mais se morria por falta de condições de isolamento e aquecimento das casas. Segundo esta investigação, que foi realizada em 14 países europeus e analisou as potenciais causas da mortalidade no inverno, Portugal tinha a maior taxa (28%) de mortalidade, seguido da Espanha e da Irlanda, ambos com 21%.





