Dívida, Perdão e Gratuitidade

Há duas palavras que, incontornavelmente, se ligam ao fenómeno da Dívida. São as palavras “Perdão” e “Gratuitidade”. Por isso, não fiquei surpreendido quando fui convidado para dar uma conferência no ISEG, no dia 7 de Abril sobre a temática “Dívida, Perdão e Gratuitidade”. Falamos de Dívida quando realizamos uma espécie de enxertia. Uma dívida mais não é que a inclusão do trabalho dos outros no nosso próprio trabalho. De um modo lato, definimos como Trabalho todo o esforço realizado na transformação do meio envolvente. Assim, quando precisamos de crédito, no fundo estamos a pedir a ajuda dos outros.

No entanto, esta ajuda não é gratuita – caso contrário, os outros (os credores) estariam a dizer que o trabalho emprestado seria um trabalho sem valor, logo inútil. E, para a maioria de nós, o trabalho reflecte (muito) esforço. Assim, a dívida de hoje tem de ser paga amanhã.

Uma boa dívida segue uma regra de ouro já conhecida na Antiguidade. O trabalho que fazemos amanhã deve ser suficiente para pagar o trabalho que outros nos emprestaram hoje. Assim, uma boa dívida é aquela que nos faz trabalhar mais. Pelo contrário, uma má dívida é aquela que fez com que um conjunto acumulado de trabalho emprestado fosse perdido. Assim, para que uma dívida seja considerada

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