Do Carnaval ao Tribunal

1 - Esta fobia contra tudo que engloba descanso e apaziguamento de alma também cansa. Ficamos a saber que Passos Coelho não gosta do Carnaval. Eu também não. Aliás, eu não gosto do exacerbamento pagão como também não gosto do seu correspondente religioso.

Acontece que estas coisas não se medem por gostos pessoais. “Ninguém perceberia em Portugal”, adianta Passos, “que numa altura em que nos estamos a propor acabar com feriados como o 5 de outubro, o 1º de dezembro ou até feriados religiosos, que o Governo pensasse sequer em dar tolerância de ponto, institucionalizando, a partir de agora, o Carnaval como feriado.” Noto esta vertigem para o prosaico popularucho ao enfatizar o “ou até feriados religiosos”. Há dezoito anos, em pleno consulado cavaquista, Ferreira do Amaral, então ministro das Obras Públicas, negociador, em nome do Estado, de um contrato de concessão com a Lusoponte (empresa da qual viria a ser presidente) chegou mesmo a afirmar, a respeito

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