Os doentes respiratórios crónicos, só por si, já fazem parte do grupo de risco para a Covid-19, uma situação que pode provocar consequências ainda graves nos doentes que não têm a doença controlada. A proteção do pulmão é feita 365 dias por ano e não apenas em determinados momentos. É importante que os doentes respiratórios crónicos recebam esta mensagem.
Porem os dados mostram que os medicamentos para diversas patologias respiratórias crónicas não são utilizados acordo com o indicado na prescrição médica, uma situação que corrobora o facto de haver uma fraca adesão à terapêutica e que se agrava durante o período coincidente com as férias. Habitualmente, as taxas de adesão à terapêutica são mais baixas no verão, aumentam no outono e permanecem altas durante os meses de inverno e até à primavera. Temos estudos internacionais que revelam que a taxa de adesão à terapêutica no caso dos doentes asmáticos e no caso dos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica varia entre os 22% e os 78%2. Estes números mostram uma imensa e preocupante oscilação na taxa de adesão à terapêutica. É urgente mudar este panorama tendo em vista a defesa de uma melhor qualidade de vida de todos os doentes respiratórios crónicos.
Sabemos que a época das férias é um momento de descontração e repouso, mas não de abandono da terapêutica.
As sociedades científicas e as associações de doentes que trabalham na área das doenças respiratórias têm alertado para esta problemática todos os anos. Em 2020, e face à pandemia de Covid-19 as consequências que daí podem advir para estes doentes, juntámo-nos (Associação Portuguesa de Asmáticos, Respira – Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e Outras Doenças Respiratórias Crónicas, Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e Sociedade Portuguesa de Pneumologia) numa campanha de sensibilização sob o mote “Neste verão não dê férias à sua medicação”. Esta é uma iniciativa que decorre até 15 de setembro, com a disponibilização de diversos materiais informativos para alertar os doentes respiratórios crónicos para as consequências do abandono da terapêutica durante os meses de verão.




