“Não é vaidade nem é falso dizer que o facto do Douro ter uma estrutura própria para o turismo foi uma grande mais-valia”, explicou António Martinho, presidente da Entidade Regional de Turismo do Douro (ERTD), que, no âmbito da reorganização do setor anunciada pelo Governo, vai desaparecer.
O Governo, através da secretária de Estado, Cecília Meireles, anunciou, no dia 16, “uma reorganização do setor do turismo” que implicará a criação de cinco novas regiões, com base nas NUT II, e o fim dos atuais organismos. Assim, “desaparecem cinco entidades regionais de turismo, seis polos de desenvolvimento e mais cinco agências promocionais”.
A medida adotada tem como objetivo, segundo o Governo, acabar com o atual número “excessivo” de entidades de turismo, uma situação “pouco eficiente”, que gera situações de “sobreposição” de funções e “pouca integração” entre as entidades.
A governante garantiu que não se trata de uma reforma para reduzir despesa, e sim melhorar o funcionamento das estruturas que gerem o turismo.
De sublinhar que, “cada uma das cinco novas entidades de turismo, correspondentes a cada NUTSII (Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve) vai juntar as competências de estruturação da oferta e de promoção interna e externa”, antes sob a responsabilidade dos vários organismos que agora desaparecerão.
Apesar da garantia de Cecília Meireles de que “todas as marcas turísticas vão ser mantidas”, “poupando-se na estrutura e ganhando na eficiência”, António Martinho, adiantou ao Nosso Jornal que teme que o Douro, enquanto marca, venha a perder fôlego. “O facto de haver uma estrutura autónoma, que se responsabilizou por este setor, contribuiu, definitivamente, para que a marca Douro seja cada vez mais forte”, explicou o mesmo responsável.
Em declarações ao Nosso Jornal, o presidente da Turismo do Douro recordou vários projetos, organizações, investimentos e conquistas que, ao longo dos três anos de existência da ERTD, marcaram pela positiva a região, levando-a a ser muito mais conhecida a nível nacional e além-fronteiras.
“Posso lembrar, com alguma vaidade, que trouxemos à região nomes como B.B. King, Sophia Loren, Carlos do Carmo”, recordou António Martinho, entre tantos outros nomes que marcaram presença na região, graças a inúmeros eventos que dinamizaram o setor do turismo.
O presidente da Turismo do Douro recordou ainda algumas das conquistas da região, nomeadamente a posição conseguida ao nível da eleição das sete maravilhas da natureza do mundo ou a classificação como destino de excelência e sustentado, devendo pesar ainda factos como se tratar da Região Vinhateira mais antiga do mundo e de ser um território com duas áreas classificadas como património mundial.
O forte trabalho ao nível da reconversão de unidades e no melhoramento na restauração, o investimento que foi feito em hotéis e infraestruturas e o aumento no número de visitantes, todos esses vetores deveriam ser tidos em conta, adianta António Martinho, deixando no ar a esperança de que a “marca Douro não venha a diluir-se”, prejudicando a região e os investimentos já agendados.
Criada em maio de 2008, a ERTD completa no próximo dia 27 de janeiro três anos de existência e conta hoje com uma “estrutura muito leve” de 15 funcionários efetivos.


