Sexta-feira, 20 de Maio de 2022
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

E agora?

Acabada a campanha eleitoral e embora não conhecendo os resultados na altura em que escrevemos impõe-se a pergunta: e agora? Será que as eleições serviram para alguma coisa, ou vai tudo continuar na mesma?

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Algumas evidências: o endividamento do Estado, empresas e famílias agravou-se com a pandemia, para um valor que equivale a aproximadamente 370 % do Produto Interno Bruto em 2021, um agravamento considerável face ao do ano de 2019 (336,8 % do PIB).
Portugal está entre os países com níveis de rendimento mais baixos da União Europeia. Cada português aufere, em média, cerca de 20.510 euros por ano, quando a média dos 28 membros é de 31.831 euros.

O nosso país, está ainda entre os cinco países da Europa com maior risco de pobreza entre os trabalhadores. Em 2019, 11 % da população empregada era considerada pobre, ou seja, vivia com rendimentos inferiores ao limiar de pobreza.

Nos cuidados de saúde, os portugueses gastam 5.1 % do rendimento das famílias, a sexta percentagem mais alta no contexto da União Europeia, onde a média é de 0.4 %.
Tem sido muito citado que dos 27 países da união, Portugal foi ultrapassado em termos de crescimento por todos, com excepção da Roménia, relevando-se a circunstância de uma grande parte deles só se ter libertado do regime soviético há menos de trinta anos. O que significa que a nossa paz de regime democrático não foi aproveitada para crescermos, como era suposto que sucederia. E lembrar até, que em 2011, as nossas finanças tiveram que ser salvas pela Troika.

Aqui chegados, ressalta que o país precisa de um pacto de desenvolvimento de médio/longo prazo, assente numa cooperação estratégica, entre os vários partidos, mormente os dois maiores do arco parlamentar, que representam a larga maioria dos votantes e cuja convergência é indispensável para viabilizar um conjunto de reformas fundamentais e inadiáveis, em domínios como o sistema político, a justiça, a fiscalidade, a administração pública, a educação, a saúde, a industrialização, a economia e por aí adiante.

Muitas personalidades, vêm defendendo a necessidade de um Pacto de Regime, com a ambição de colocar Portugal no pelotão da frente.

Não se trata de recomendar um Governo de Unidade Nacional, mas apenas da necessidade de elaborar um programa de incidência parlamentar que envolva os dois maiores partidos, para fazer estas reformas e optimizar os fundos comunitários, designadamente o Programa de Reformas e de Resiliência que a União Europeia em boa hora colocou a disposição dos países membros.

Será que há coragem para fazer este pacto?

A história nos julgará.

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