Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

Economia portuguesa cresce 1,7% em 4 anos

No dia 16 de maio, a Comissão Europeia divulgou as previsões de crescimento económico dos estados-membros da União Europeia para 2022.

Portugal surge destacado, com o maior crescimento face a 2021 (5,8%). Estas previsões tiveram um eco rápido em Portugal, celebrando estes bons indicadores de crescimento, bastante abonatórios para a economia nacional.

Infelizmente, a realidade é um pouco mais dura. Realizar comparações do primeiro ano “quase normal” pós-pandemia (2022), com os anos anteriores de fortes restrições económicas (2020 ou 2021), diz-nos mais sobre o impacto e dimensão dessas medidas restritivas no passado, do que sobre a melhoria económica dos países no presente.

Ou seja, perante um ano de 2021 ainda com fortes restrições relacionadas com a pandemia de Covid-19 (o confinamento geral ou parcial ainda foi uma realidade na maioria dos países europeus durante alguns períodos), e tendo Portugal sido uma das economias mais afetadas (inclusive pela continuação da interrupção do turismo) e alvo de mais restrições, estes aparentes fortes crescimentos em 2022 são naturais, e correspondem apenas a uma gradual recuperação da normalidade.

Torna-se, por isso, necessário avaliar de que forma o Produto Interno Bruto previsto em 2022 compara com o último ano pré-pandemia (2019). Nesta perspetiva, Portugal é uma das economias que menos irá crescer entre 2019 e 2022 (apenas 1,7%), o 8.º pior desempenho entre as 27 economias da UE, reflexo de uma recuperação económica mais lenta. Se olharmos apenas para economias que apresentam um PIB per capita abaixo da média da UE (e com as quais, cada vez mais, Portugal compete), Portugal apenas consegue superar a Espanha, a República Checa, a Itália e a Eslováquia. A maioria destas economias mais pobres (no contexto europeu) já esperam apresentar, em 2022, um PIB real mais de 4% acima do de 2019.

Na infografia que hoje apresentamos, todos nós preferíamos que a mensagem positiva do gráfico da esquerda refletisse melhor o estado da economia do que o gráfico da direita. Um dos lados transmite-nos uma ilusão, tranquiliza-nos, enquanto o outro deixa-nos um sinal de alerta, e é sobre esse que devemos atuar para discutir de que forma podemos tornar a nossa economia mais próspera e competitiva.

-PUB-

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