A problemática do Ambiente é muito mais crucial do que algumas outras em que permanentemente atentamos (por exemplo, a banca, os negócios financeiros, os défices, as taxas de juro, as flutuações da Bolsa) porque é do solo, da água e do ar que resulta tudo o que garante não só o desenvolvimento do ser humano como, mesmo, a sua sobrevivência. Sofremos, em 2017, a devastação provocada pelos incêndios e, como tal, os grandes prejuízos ambientais que deles advieram. Vociferámos contra a central nuclear espanhola de Almaraz e depois tudo ficou, afinal, na mesma, como se, afinal, nada de grave houvesse (tal como agora acontece com as minas de urânio perto da fronteira portuguesa). Parece que o problema não estará propriamente em qualquer tipo de perigo ou risco ambiental mas tão só pelo facto de não sermos ouvidos ou avisados por “nuestros hermanos”. O rio Tejo tem sido vítima da irresponsabilidade do ser humano que, cego de ambição, não percebe que as descargas poluentes são letais. Os últimos acontecimentos que nos mostraram uma maneira de ser e uma educação ao nível dos mínimos civilizacionais deveriam fazer-nos pensar seriamente na forma de abolir tais desideratos. O ato de despejar veneno químico nos rios deveria ser absolutamente proibido. Mas quem nos governa entende que já é um passo muito positivo obrigar as fábricas e empresas poluidoras a reduzir a carga poluente. Reduzir?
Seria suposto que ninguém deva lançar na água no Tejo o que o destrua. Mas, ao dizer que irão ser reduzidas as descargas, os governantes estão a dizer-nos, afinal, que a poluição até é aceitável, em certa medida.
O problema ambiental também é uma questão educativa. Os nossos empresários, os nossos trabalhadores, os nossos políticos e até os nossos ambientalistas talvez não sejam tão educados como deveriam ser. É por isso que os abusos acontecem.





