Terça-feira, 15 de Junho de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Eleições europeias, uma oportunidade

Os movimentos radicais que se têm desenvolvido um pouco por toda a parte, também na Europa, constituíram-se como alertas para todos aqueles que, imbuídos do espírito democrático, rejeitam os regimes ditatoriais.

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O populismo parece estar a ganhar simpatizantes. Não se estranha, pois, os receios que isso provoca.

É também verdade que desponta e se desenvolve na geração mais jovem, até juvenil, uma consciência crítica e a simpatia por valores novos, que testemunham uma geração com grande consciência cívica e que olha o futuro, seu e dos contemporâneos, com grande sentido de responsabilidade. Não estranhava a colunista Bárbara Reis, no Público do passado dia 1, que a adolescente “Greta Thunberg faltasse às aulas para empunhar um cartaz em frente ao parlamento sueco, em defesa do clima”. Essa sua atitude deve-se ao facto, como explica, de a sociedade e os governos “não fazerem, relativamente à problemática do clima e às questões ecológicas, em geral, o que a ciência e as Nações Unidas dizem que é preciso fazer”.

Com o desenvolvimento do populismo, mas também com estas expressões de grande consciência cívica e de vontade de exercitar a cidadania, não poderão os partidos políticos e as associações cívicas deixar de refletir sobre estes fenómenos. Na pré-campanha que se iniciou, a solução não será, claramente, enveredar por uma campanha de sound bytes, de envio de mensagens muito bem arquitetadas por especialista de marketing, nem por discursos inflamados para arrebatar as massas, muito menos, por afirmações agressivas e/ou insultuosas para os outros candidatos. Lamentavelmente, esta última opção já foi a de alguns. Perante o que atrás se refere, estou convencido que deverá ser trilhado outro caminho.

A experiência inglesa com o processo do “Brexit”, para os mais atentos, está a mostrar que o abandono da União Europeia também não deve ser o caminho. As gerações mais novas têm mostrado não ser essa a sua preferência. 

Ora acontece que nas próximas eleições para o Parlamento Europeu votarão pela primeira vez muitos jovens que nasceram já depois da implementação da moeda única. No caso português, praticamente, não conheceram o escudo; são já geração do euro. O que pode ser uma vantagem.

E da parte dos partidos haverá algo mais a fazer? Ou aguardam o que possa surgir para, mais tarde, carpir mágoas? É que muitas pessoas afastam-se das propostas dos partidos tradicionais porque acham que os políticos não se ocupam verdadeiramente dos seus problemas, porque consideram que há muito carreirismo na política e os melhores da sociedade se afastam e não se envolvem nas questões que respeitam a todos e no encontrar de soluções para os problemas da atualidade. Daí, a tentativa de os populismos tentarem galgar as ondas do descontentamento, ou de os jovens como a sueca Greta Thunberg optarem pelo protesto. A oportunidade reside em os conquistar para a opção da escolha pelo voto. Mais vantajoso para todos.

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