Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Emergência cristã

Por estes dias, vemos dolorosamente as imagens dos incêndios que estão a devastar a gigantesca floresta amazónica, considerada um dos pulmões do mundo.

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Os ambientalistas fervorosos estão a aproveitar a tragédia para continuarem a chamar a atenção para as alterações climáticas e para as mudanças de comportamento que são precisas levar a cabo por cada pessoa e pelas sociedades atuais, sob pena de estarmos a caminhar para um futuro tenebroso para toda a humanidade. Não restam dúvidas, a não ser para os esperados negacionistas, que já estamos num tempo de emergência ecológica e climática. A este ritmo, não há terra que aguente muito mais. Caminhamos para um precipício. 

Acho bem que se decrete esta emergência ecológica, que esteja rapidamente no centro das reflexões e seja promotora de mudanças rápidas e necessárias. Embalado pelo momento, o que seria também importante é que fosse decretada uma emergência cristã. É urgente, mais do que nunca, um testemunho claro e alegre da fé cristã e uma presença verdadeiramente cristã em muitos campos da sociedade, mas nem sempre se vê. É urgente, quanto antes, que se apresente a Igreja e o Evangelho com audácia e convicção, diante dos muitos projetos e propostas que abundam no mundo de hoje. Mas onde estão mesmo os cristãos no dia a dia? Pergunto-me onde é que andam durante o ano os muitos cristãos que participam nas romarias e nas celebrações dos sacramentos de verão e que marca deixam atualmente no mundo em que vivem. Na verdade, muitos ao longo do ano desligam-se da Igreja, que facilmente criticam, e mergulham numa vivência morna da fé, dissolvendo-se na mundanidade.

Jesus Cristo, num dos evangelhos deste mês de agosto, deixou-nos o mote: "Eu vim trazer o fogo à terra e que quero eu senão que ele se acenda?". Urge acender o fogo purificador de Jesus no mundo, na vida de cada cristão e em muitas comunidades, acomodadas e adormecidas em rotinas e no cumprimento de tradições. Os cristãos estão no mundo para fazer a diferença, para transformar o mundo segundo o espírito do Evangelho de Jesus Cristo, sem medo das ruturas necessárias. Os cristãos estão no mundo para ser luz, sal e fermento de um mundo novo a que chamam Reino de Deus. Os cristãos ou ardem mesmo no mundo com a força do Evangelho ou têm muito pouco a dizer ao mundo.

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