Graças ao empenho solidário de Celestino Esteves, emigrante há quase 50 anos, dezenas de cadeiras de rodas, andarilhos, camas articuladas, sofás reclináveis e outras peças de mobiliário viajaram, no dia sete, desde o Luxemburgo até Vila Real para dar resposta às necessidades da delegação local da Cruz Vermelha Portuguesa.
Segundo o próprio benemérito, o equipamento é proveniente de instituições luxemburguesas que não os reutiliza com novos utentes. “Uma pessoa que entra para um lar recebe uma cadeira nova e se morrer essa cadeira vai diretamente para o depósito, porque quem entrar recebe uma nova”, explicou.
Ao longo dos últimos anos, Celestino entrou em contacto com essas instituições e deu início a um trabalho de transporte do equipamento em bom estado de conservação, alguns praticamente novos, para centros sociais do concelho que o viu nascer, Vila Real.
Assim, como o próprio contabiliza, já fizeram o percurso desde Luxemburgo vários camiões carregados com equipamentos que foram entregues, por exemplo, aos Centros Sociais da Campeã (freguesia de onde é natural), Torgueda e Cumieira, tendo enviado também contentores para países africanos.
Recordando que inicialmente teve que entrar em contacto com as organizações para juntar o material que poderia ser enviado para onde era mais necessário, o emigrante explica que hoje são os lares de idosos e outras instituições luxemburgueses que entram em contacto consigo, que “ligam a dizer que têm mais material disponível”. “Para o próximo ano já tenho prometidas mais 80 camas”, referiu visivelmente satisfeito.
No que diz respeito ao transporte, o benfeitor revela que à Cruz Vermelha cabe os custos de transportas do material até Portugal, sendo que, todos os custos necessários para garantir o processo ainda dentro do Luxemburgo são suportados pelo próprio.
“Eu tenho a minha reforma, tenho os meus filhos criados, podia ter um bom carro, mas prefiro andar com um que tem mais de 24 anos e ajudar os outros, os que mais precisam”, concluiu Celestino Esteves.
Gonçalo Fraga, vice-presidente da delegação de Vila Real da Cruz Vermelha, explicou ao Nosso Jornal que todos os equipamentos serão colocados à disposição de quem precisa. “Tínhamos carência nesta área na delegação e não tínhamos capacidade de resposta”, explicou o mesmo responsável, revelando ainda que, caso seja necessário, os materiais poderão ainda ser colocados à disposição de outras delegações da Cruz Vermelha do distrito que deles precisem.




