Vivo prisioneiro na minha própria casa para cuidar das minhas três irmãs, já que nem a Segurança Social, nem o Estado arranjam um local para as acolher. Já pedi nos lares da zona, mas não há vagas e as listas de espera são grandes. Não posso sair, tenho que dar os comprimidos a horas, fazer o comer, olhar por elas, lavar-lhes a roupa, limpar a casa”, desabafa este empresário.
As irmãs de 32, 43 e 57 anos, ainda, dormem nas suas camas com uma boneca. Eram 9 irmãos. Quatro deles faleceram, o mais velho, deficiente mental profundo esteve acamado dos 12 anos aos 54 e acabou também por morrer. Alfredo Resende ficou nesta situação após o divórcio, ocorrido há alguns meses atrás. Esteve casado durante 24 anos, e era a ex-mulher que tomava conta das suas irmãs.
Este homem é condutor manobrador, faz subempreitadas para a empresa Teixeira Duarte. Aliás, foi através desta empresa que há ano e meio, foi para a Argélia dar formação nesta área. “ Tinha um outro contrato para dar formação em Angola, mas devido à actual situação, não posso ir. Tenho uma empresa, em nome individual, que ainda não cessou a actividade. Pago impostos e não possuo qualquer rendimento” , contou.
O desespero deste empresário da construção civil aumentou quando no ofício 105505, de 23 de Setembro de 2008, do Centro Distrital de Segurança Social de Viseu e relativo à “proposta de inserção institucional de três irmãs deficientes mentais” o organismo garante que “continua a diligenciar no sentido de encontrar resposta institucional adequada”.
“Quanto tempo vou continuar sem trabalhar? Será que vou acabar por ficar sem meios para sobreviver?” – Interrogações que coloca Alfredo Resende que continua à espera que as instituições lhe dêem uma resposta para o seu problema.




