Desde o final de Dezembro que está em funcionamento no Centro Hospitalar de Trás-os- -Montes e Alto Douro (CHTMAD) um novo “mamógrafo digital directo”, um equipamento único na península ibérica e que, orçado em meio milhão de euros, permite detectar precocemente o cancro da mama.
Segundo o médico João Nóbrega, responsável pelo serviço, o novo equipamento além de “ter uma capacidade de resolução muito grande e eficaz”, tem outras duas grandes mais-valias, o facto de emitir menos 30 por cento de radiação para a utente em cada mamografia e ser completamente digital, não exigindo por isso a revelação de exames, o que é um ponto a favor do ambiente.
“Para a região este é um passo de gigante”, frisou Carlos Vaz, presidente do Conselho de Administração do CHTMAD, realçando que se “muitos cancros de mama já eram detectados num estado muito inicial”, com o novo serviço é possível um diagnóstico ainda mais precoce.
Com o novo equipamento, que segundo a empresa fornecedora é único na península ibérica, o Centro Hospitalar confirma com exactidão a mais pequena suspeita dos casos de cancro da mama que são detectados no âmbito de um grande rastreio que vai ser realizado na região. “Já estamos articulados com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte para ficarmos na segunda linha da despistagem do plano de rastreio que vai ser feito este ano”, explicou o administrador.
Carlos Vaz referiu que “a despistagem global será feita por um carro móvel que vai percorrer a região de Trás-os-Montes” e que os casos suspeitos serão então referenciados para o CHTMAD onde o equipamento “topo de gama e altamente diferenciado” permitirá acabar com qualquer dúvida.
Segundo as últimas estatísticas divulgadas pela ARS, o cancro da mama, a principal causa de mortalidade por cancro no sexo feminino a nível mundial, verificou um aumento da sua taxa de incidência na região Norte de 78,5 para 105,5 casos por cada 100 mil habitantes.
Através do trabalho de cinco unidades móveis e uma fixa, a ARS está a desenvolver um grande rastreio na região que, numa primeira fase, já abrangeu cerca de 25 por cento das mulheres nortenhas (125 mil pessoas), e que em Março, deste ano, chegará a Trás-os-Montes. Um ano depois, em 2011, o rastreio deverá chegar a todo o território envolvendo 521 mil habitantes da região.
Direccionado às mulheres com idade compreendida entre os 45 e os 60 anos, o rastreio espera conseguir uma taxa de participação de 75 por cento e prevê, para os casos suspeitos e num máximo de dez dias após a comunicação do resultado do exame primário, a realização de uma consulta de aferição, à qual, em caso de necessidade de exames completares de diagnóstico ou tratamento, se seguirá uma consulta hospitalar cujo agendamento será assegurado no mesmo limite temporal.
O objectivo geral do rastreio é diminuir em 10 por cento a taxa de mortalidade pelo cancro da mama feminino na região Norte até 2018.




