Domingo, 3 de Julho de 2022
Agostinho Chaves
Agostinho Chaves
Trata o jornalismo por tu. Colabora com a VTM há mais de 25 anos. Foi Diretor entre 2014 e 2019. Passou por meios de comunicação nacionais, como o Comércio do Porto e a Rádio Renascença.

Euforia e humilhação

O país está a atravessar um período comummente reconhecido como pródigo, favorável e bonito.

-PUB-

Os últimos tempos têm sido de muitos elogios e de muitos créditos em vários setores da nossa atividade. Como é evidente, é entre nós que a maior satisfação por estes factos se faz sentir. Mas também do estrangeiro se ouvem hinos de louvor relativamente a Portugal (e não apenas por causa do Cristiano Ronaldo e do Salvador Sobral como antes era pelo Eusébio e pela Amália). A melhoria da economia portuguesa é uma realidade, com valores generalizados mais agradáveis, de tal forma que Bruxelas determinou retirar-nos do clima de défice excessivo com que nos vimos batendo.

Mas há um grande óbice nesta positividade e otimismo todo. Tem a ver com o enorme défice de educação e formação das pessoas que preenchem o nosso país e que atenta contra essa imagem. Fruto de crises em várias instituições, a começar pelas famílias, pelas escolas, pelos bancos, pelos tribunais.

Por um lado, batemos palmas ao Papa Francisco. Por outro batemos nas pessoas lá de casa. Elogiamos a conquista do campeonato, mas insultamos os adeptos dos outros emblemas. Soltamos loas às conquistas internacionais (o Europeu de futebol e o Festival da Eurovisão) mas damos tristes exemplos de má educação nos hotéis espanhóis em viagens de finalistas e nos cortejos das Queimas das Fitas (Domingos de Andrade, no “JN”, chamou a isto “Orgia de humilhação”).

Não pode haver maior humilhação do que um rapaz de 25 anos ter violado com uma barra de ferro uma senhora de 71, com requintes de malvadez que ultrapassaram em muito os seus recalcamentos sexuais. E, no dia seguinte, soubemos que outro rapaz, de 23 anos, abusou sexualmente, com os mesmos intentos de patifaria, de uma outra senhora, esta de 79.

Há quem diga que a sociedade atual é mais aberta, mais analítica, mais conhecedora, na qual as pessoas se relacionam de uma forma nova, mais abrangente e promissora. Todavia, estes infelizes e violentos casos do quotidiano deixam-nos a pensar noutras coisas, a partir da liberdade que uns têm e outros não conhecem e de que terceiros também são vítimas.
 

Mais Lidas

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.