Falar alto sem dizer nada

Geralmente, saímos mais roucos de uma festa do que de um concerto sinfónico. Além das explicações mais óbvias (que associam a transpiração e a excitação com vontades pontualmente mais exacerbadas em comunicar), existe uma razão mais subtil – a lei de Weber-Fechner. De acordo com este princípio, originalmente estudado na Psicologia e posteriormente alargado a um leque substancial de domínios científicos, a reação de um estímulo é relativa à base do mesmo estímulo. Assim, aumentamos a voz em ambientes ruidosos e diminuímos os decibéis emitidos em ambientes mais calmos. Consumimos mais doses de antibióticos ou de narcóticos se estamos mais viciados ou tomamos mais cafés aos 30 do que aos 15 anos.

Estudando este princípio, senti-me estimulado a dar-lhe corpo nas ciências económicas. Não só o propósito de interdisciplinaridade que defende o estímulo como também a intuição de que este princípio, devidamente adaptado à Economia, ajudaria a explicar (de um modo inovador) um dos fenómenos mais estudados nas Finanças Públicas – o crescimento real dos gastos públicos na generalidade das Democracias Ocidentais desde o final da II Guerra Mundial.

Na realidade, a despesa pública mais não é do que o gasto que o Estado (visto como um Gestor eleito pelos cidadãos) realiza nos diversos propósitos assumidos pelos mesmos cidadãos. Mas este “Gestor” não é um autómato inocente – é um sistema composto por cidadãos eleitos (“políticos”) que, entre

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