Vila RealFeira do Levante “é uma anarquia total”

Feira do Levante “é uma anarquia total”

Feirantes ilegais, falta de segurança e de fiscalização e mensalidades das mais altas do país, e da Europa, são algumas das queixas dos feirantes de Vila Real. Pela voz do presidente da Associação, os comerciantes pedem soluções e não auguram para 2012 um bom ano de negócios. Com várias medidas nacionais a ajudar à crise no setor, fala-se mesmo sobre a necessidade de salvar da “extinção” uma atividade com mais de 900 anos de história.

“Estamos a receber bastantes reclamações. Não faz sentido uma feira que é das mais caras do país não ter uma gestão adequada”, denunciou Fernando Sá, presidente da Associação de Feiras e Mercados da Região Norte (AFMRN), no dia três, no final de mais um dia de negócios na Feira do Levante, em Vila Real.

Os feirantes, representados pela Associação, decidiram denunciar a situação à comunicação social depois de, alegadamente, terem tentado encontrar soluções em conjunto com a autarquia local. “Chamámos a atenção para os problemas que a feira tinha no seu desenrolar normal. Nestas reuniões, a Câmara prometeu soluções que cumpriu, mas o certo é que de algum tempo a esta parte a situação voltou ao mesmo”, refere o presidente da associação.

Entre as queixas enumeradas, Fernando Sá fala da “entrada de feirantes que não têm os lugares habituais registados e que vendem assim fora dos espaços normais, obstruindo a passagem de viaturas”.

Outras problemáticas mencionadas prendem-se com a falta de policiamento e a “venda clandestina” nos espaços envolventes. “Neste momento, a feira está numa anarquia total”, garante o representante dos comerciantes, explicando que o caos que se cria acaba por gerar “confusões entre os próprios feirantes”.

Garantindo que a situação se agravou na altura das festas de Natal e Ano Novo, tendo por isso sido contactados novamente os responsáveis dentro da autarquia, a AFMRN, sem obter resposta, decidiu denunciar a situação “à comunicação social”, uma vez que “as pessoas que gerem a feira não fazem o trabalho devido”.

A alegada má gestão da Feira do Levante e as mensalidades excessivas cobradas pela Câmara Municipal, que representam uma queixa antiga, vêm piorar uma situação de grave crise na atividade, motivada não só pela redução do poder de comprar e do aumento do desemprego, mas também por questões como a introdução das portagens nas antigas SCUT, nomeadamente na A24, e os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis.

“Não estamos a prever um ano de 2012 muito positivo para os feirantes”, admite o dirigente associativo, deixando um apelo ao Governo de Passos Coelho para que olhe com “atenção” para o que está acontecer a uma atividade que tem nove séculos de história. “Muitos dos nossos associados já desistiram da profissão ou emigraram”, admite Fernando Sá, falando mesmo na possibilidade de “extinção” da profissão.

Domingos Madeira Pinto, vice-presidente da Câmara e presidente do Conselho de Administração da Merval, empresa municipal responsável pela gestão dos mercados e feiras do município, explicou que sempre esteve “disponível para reunir com os feirantes”, e é exatamente nessas reuniões, realizadas de forma periódica, que devem ser “debatidos os problemas e apresentadas as soluções”.

Mostrando-se mesmo “surpreso” com a denúncia pública da AFMRN, Madeira Pinto garante que a questão da segurança sempre foi, e continua a ser, “fundamental” na gestão da Feira do Levante. “Reuni na semana passada com a Polícia e vou voltar a reunir esta semana. Mas, nós não nos podemos substituir às autoridades”, sublinhou.

Relativamente à queixa dos preços elevados das mensalidades, o mesmo responsável político referiu que se trata de uma taxa de seis euros por metro quadrado, o que, para um feirante que tenha um espaço de 12 metros quadrados, equivale ao pagamento de uma mensalidade de 70 euros para oito feiras (duas por semana). Para Domingos Madeira Pinto, os feirantes não se podem queixar, até porque, “em termos de infraestruturas, têm um dos melhores espaços do país”.

“Apesar de tudo o que se diz, não temos tido desistências ou pessoas a dizer que querem ir embora”, concluiu o vice-presidente da Câmara.

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