Em Jerusalém começou no século V como festa da Basílica Sanctae Mariae ubi nata est, actualmente conhecida como Basílica de Santa Ana, que a tradição indicava como sendo o lugar da casa de Joaquim e Ana, pais de Maria.
A mesma tradição faz-nos saber que Joaquim e Ana eram idosos e estéreis, mas a paciência, a resignação e as muitas orações para terem um filho, foram coroadas com o nascimento de Maria, que haveria de ser a Mãe de Jesus.
Este nascimento preanuncia a vinda do Salvador e portanto esta festa é uma festa de Esperança. Escreve o teólogo Scoth Hahn: «Maria esteve no plano divino desde o começo mesmo, eleita e anunciada desde que Deus criou o homem e a mulher. De facto, os primeiros cristãos entendiam que Maria e Jesus eram como uma repetição da primeira criação de Deus. S. Paulo falava de Adão como figura de Jesus (Rom. 5, 14) e de Jesus como o novo Adão, ou o “último Adão” (1 Cor. 15, 21-22. 45-49)».
Quando Maria nasceu não apareceu nenhum sinal visível ou acontecimento extraordinário e os Evangelhos são omissos. Contudo o poeta Augusto Gil, no seu livro Alba Plena – Vida de Nossa Senhora, tem um capítulo dedicado à Natividade e depois de relatar quatro situações anómalas: Um lobo, A caravana, O exilado, Joaquim, filho de Hiel, termina com estas palavras para explicar as anomalias: Naquela tarde, àquela hora, / Nascia, em Jerusalém, Nossa Senhora.
S. João Damasceno afirma que o nascimento de uma mãe estéril já é um sinal das bênçãos especiais que recaem em Maria e diz: Hoje é o começo da salvação do mundo, porque na Santa Probática (1) foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado mundo, nos foi gerado.
No século XV apareceu uma afirmação, condenada pela Igreja Católica em 1677, em que Maria teria sido concebida por uma virgem, pelo poder do Espírito Santo. A doutrina da Igreja ensina que Maria foi concebida de maneira natural, mas miraculosamente preservada do pecado original, em ordem à sua Maternidade Divina, isto é, em ordem a ser Mãe de Deus. Esse privilégio foi-lhe concedido por antecipação dos méritos alcançados posteriormente pela Paixão e Morte de Jesus. Este privilégio da isenção de pecado original é celebrado a 8 de Dezembro (nove meses antes de 8 de Setembro) e chama-se Imaculada Conceição.
E ao referir o nascimento de Maria, vamos citar um mestre: O Padre António Vieira, num dos seus sermões: «Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina e dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; os pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; os desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; os desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; os tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança; os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os em litígio, para Senhora da Paz; os desencaminhados para Senhora da Guia; os presos para Senhora do Livramento, os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os pecadores para, para Senhora da Graça, etc. E conclui: Se todas as vozes se unirem numa só, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus».
Santa Probática está relacionada com a Piscina Probática onde pensavam que se situava a casa onde Maria nasceu, e onde Jesus curou o paralítico que jazia enfermo há 38 anos.



