Vila RealFestival Internacional este ano só falado em português

Festival Internacional este ano só falado em português

Ao contrário das suas edições anteriores, e não fazendo jus ao seu título de festival internacional, este ano o “Vinte e Sete” vai contar apenas com companhias portuguesas. Ainda assim, a organização, que este ano conta com menos um parceiro, acredita que se trata de uma das melhores edições de sempre. A transdisciplinaridade das companhias participantes promete encantar miúdos e graúdos, em 18 espectáculos divididos por Vila Real e Bragança

Na sua sétima edição, o “Vinte e Sete – Festival Internacional de Teatro”, que começa no próximo domingo, Dia Mundial do Teatro, e se prolonga até ao final de Abril, vai receber apenas produções portuguesas, uma opção que, “em ano de crise, pretende levantar a auto-estima das componhais nacionais”.

Helena Genésio, directora do Teatro Municipal de Bragança, parceiro do Teatro de Vila Real na organização do “Vinte e Sete”, explicou que o objectivo foi “dar voz às companhias portuguesas”, propondo assim ao público um festival “inteiramente dedicado” ao teatro nacional de qualidade.

Com menos um parceiro, 18 espectáculos agendados, três workshops, “uma conversa”, uma feira de objectos culturais e um orçamento de 60 mil euros, o festival espera contar, este ano, com três mil espectadores, “o que corresponderá a salas praticamente esgotadas”, antevê Rui Araújo, coordenador do departamento de produção e programação do Teatro de Vila Real.

O mesmo responsável considera que as propostas para a sétima edição do festival são “muito interessantes”, uma vez que a maior parte das companhias convidadas focam um género transdisciplinar, ou seja, “misturam um pouco das várias áreas” das artes de palco.

“Os espectáculos têm forma de chegar a diferentes públicos e às várias faixas etárias”, explicou Rui Araújo, deixando a certeza de que os “espectáculos destinados ao público infantil vão encantar adultos e outros, e os destinados aos adultos, vão seduzir os mais jovens”.

Entre os espectáculos, de sublinhar as duas peças que vão marcar o arranque do festival e ao mesmo tempo assinalar o Dia Mundial do Teatro, com o “Al-MaSRAH Teatro” a trazer ao palco vila-realense a peça “Eu hei-de crescer e, depois, tu vais ver”, e o Teatro de Garagem a levar aos brigantinos o espectáculo “Snapshots”.

Rui Araújo destacou ainda da agenda do “Vinte e Sete”, a co-produção entre os Peripécia e o Teatro de Vila Real, um espectáculo denominado “Antes solo que mal acompanhado” e que, marcado para o dia dois de Abril (em Vila Real) e 23 de Abril (em Bragança); representará o primeiro passo de uma “viagem criativa” da companhia vila-realense, o projecto “Périplos”.

Helena Genésio frisou que, a organização conseguiu “uma edição perfeita”, ao reunir “companhias de primeira água” em Portugal e os “espectáculos novíssimos, que, na sua maioria, estrearam já esta época ou ainda só tiveram mesmo a sua ante-estreia. Por exemplo, a peça Pedro Inês, criada pela companhia de Teatro “O Bando” para assinalar os 450 anos da morte de Inês de Castro, teve a sua estreia sensivelmente à15 dias, explicou.

A director da casa de espectáculos de Bragança referiu ainda o espectáculo “Frágil”, do Teatro de Marionetas do Porto, que representa o último trabalho do encenador João Pualo Seara Cardoso, recentemente falecido e que esteve durante 20 anos à frente da direcção artístico daquela companhia. “É uma homenagem que os teatros de Vila Real e Bragança lhe prestam”, sublinhou Helena Genésio.

Em Bragança, o Festival vai fazer regressar, pelo terceiro ano consecutivo, um projecto que tem cativado a população, um espectáculo que será criado pelo Teatro da Garagem, em residência artística e que deverá contar com a participação de cerca de 80 pessoas, sendo que o mais jovem já inscrito tem oito anos, e o mais velho 78.

A primeira fase do projecto já começou no dia 19 e vai decorrer até ao final da semana. Em Junho, a companhia regressará a Bragança para mais uma residência artística e de trabalho com a população para o espectáculo denominado “Ao Relento”, baseado na obra de Camilo Castelo Branco e com estreia marcada para a primeira quinzena de Julho.

A sétima edição do “Vinte e Sete” vai ainda receber os espectáculos “Dura Dita Dura” (Teatro de Ferro), “Quarto Interior” (Circolando) e “Balada para carrinho de bebé” (com texto e encenação de Carlos J. Pessoa).

De destacar ainda a realização de mais uma edição da Feira de Objectos Culturais, às sextas e sábados, no Teatro de Vila Real, e, finalmente, um espectáculo de “spoken word”, em que Adolfo Luxúria Canibal interpreta alguns textos e poemas do seu livro “Estilhaços de Cesariny”, a realizar-se no dia 13, em Bragança, e no dia 16, em Vila Real.

 

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