“Embora se perceba que o contexto actual de crise favoreça a criminalidade, continuamos com a tendência, embora pequena, de redução”, explicou o Comissário Mário Quintal, da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Vila Real que, à semelhança da Guarda Nacional Republicana (GNR), não confirma assim as notícias que têm vindo a público relativamente ao agravamento da criminalidade grave e violenta no distrito.
A notícia do jornal “O Público”, por exemplo, revela que “os dados policiais referem que no primeiro semestre deste ano a situação, no que se refere a este tipo de criminalidade, agravou-se em Setúbal (mais 7,2%), mas também em regiões tradicionalmente mais tranquilas, como Vila Real, Portalegre e Bragança”, embora no “cômputo do país a tendência é para a diminuição ligeira da criminalidade violenta”.
O Comissário do Comando Distrital da PSP de Vila Real, que tem como área de intervenção os centros urbanos da capital de distrito e da cidade de Chaves, não corrobora com as informações, revelando que, à semelhança dos “últimos dois ou três anos”, os dados referentes à criminalidade grave ou violenta e mesmo à criminalidade em geral “têm vindo a diminuir” de forma “muito ligeira”.
Também os dados da GNR revelam que não há necessidade de uma preocupação especial das populações para os crimes considerados violentos, tendo em conta que, dos 21 registados em 2010, este ano só adicionou mais seis. De sublinhar ainda que, dos 27 registados em 2011, 16 tiveram como base a “resistência e coação sob funcionário”, um crime que, também considerado grave, tem principalmente como alvo os militares da Guarda.
O Major João Morgado, da GNR de Vila Real, referiu que, se não houvesse o aumento no que diz respeito ao crime de “resistência e coação sob funcionário”, de cinco no ano passado para 16 casos, a criminalidade registada este ano na área de intervenção da Guarda teria mesmo sofrido uma redução.
Ofensas à integridade física, roubo por esticão, roubo a residências ou viaturas com recurso à violência e extorsão, são alguns dos crimes classificados como graves mas que ainda registam números residuais, não excedendo, em nenhum dos casos, cinco casos registados pela GNR no distrito.
Apesar de sublinhar que muitos dos crimes considerados graves ou violentos estão sob a alçada da Polícia Judiciária, João Morgado explica que, tendo em conta os números, “não há motivos para alarmar as pessoas”.
No âmbito da segurança, de sublinhar que esta semana o Ministério da Administração Interna divulgou a instalação de equipamentos com sistemas de georeferenciação que vão permitir “detectar, em tempo real, situações de criminalidade, nomeadamente furtos de fio de cobre e materiais agrícolas”.
A criação do sistema de georeferenciação está prevista no programa de combate à criminalidade nas zonas rurais, e, segundo fonte do ministério, os dispositivo poderão ser colocados em locais onde há um maior risco de furtos, como por exemplo espaços com maquinaria agrícolas, armazéns e instalações eléctricas da EDP, permitindo a emissão de alertas para quaisquer ocorrências.



