As Feiras do Fumeiro, com a sua qualidade distinta, mantêm uma tradição enraizada na cultura transmontana a que dificilmente conseguimos passar despercebidos. O ruralismo associado ao nosso território tem vestígios da sua ação até às profundezas da nossa existência como civilização.
Conforme o velho ditado popular “o frio entra pelos pés e a fome pela loja”, a matança do porco está intimamente ligada a este tipo de agricultura e especialidade social, que habita nas memórias dos que moram as aldeias onde se fez e continua a fazer o trabalho do campo.
O porco foi, nestes tempos, o principal alimento a par do pão e das batatas. Além do seu suculento paladar e utilizações diversas na cozinha, os suínos apresentavam ainda a grande vantagem de a sua alimentação ser muito variada e bastante mais económica que a de outros animais, aproveitando as sobras da casa, complementadas pelos cereais e frutos secos que propositadamente se cultivavam para engordar os animais, que seriam fonte de alimento para todo o ano.
Tempos houve em que o fumeiro era religiosamente guardado até ao verão, para colocar na mesa dos filhos imigrados que partiam em busca de uma vida melhor, deixando para trás os progenitores e as raízes que os cultivaram, fazendo as graças da festa da aldeia e honrando as saudades dos sabores da terra.
Nesta ordem de ideias, as chouriças e os salpicões eram mantidos em “talhões”, reservatórios feitos em barro, enchidos com o azeite trabalhosamente produzido e que preservava estas peças de fumeiro.
Atualmente são três os grandes certames associados a esta tradição que ainda se preserva em muitas aldeias e municípios de Trás-os-Montes.
A Feira do Fumeiro de Montalegre, a Feira do Fumeiro de Vinhais e a Feira Gastronómica do Porco, em Boticas, são exemplos de certames que ao longo dos
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