Porto e Vila Real vão ser as únicas cidades portuguesas que poderão, nos dias 27, 28 e 29, ouvir a mestria do pianista franco-argentino Miguel Angel Estrella, um músico que ao longo dos seus 71 anos de vida “colocou a sua arte ao serviço das causas mais nobres” e foi o fundador da Federação Internacional Música Esperança, recentemente criada em Portugal.
Caroline Dominguez, presidente da Associação em Portugal, explicou que a iniciativa pretende assinalar o lançamento oficial no nosso país da organização que, criada no início deste ano, já fez várias actividades que cumprem o objectivo inicial do seu fundador a nível internacional, “levar a música a toda a gente”.
Criado em Dezembro de 1982, o movimento internacional Música Esperança viu o seu trabalho reconhecido pela UNESCO em 1992, “desde então, Miguel Angel Estrella dá uma centena de concertos por ano nos quatro cantos do mundo, tanto nas salas mais prestigiadas como em prisões, escolas, hospitais, fábricas, promovendo a criação de novas associações em vários países da Europa e da América”.
Pela primeira vez em Portugal, o pianista vai ser a figura central de três eventos musicais e socioculturais, começando, no dia 27, com “um encontro com crianças que fazem da música um meio de ultrapassar as dificuldades que enfrentam”, na Escola Leonardo Coimbra, próxima do Bairro do Aleixo, no Porto.
No dia seguinte, sexta-feira, pelas 11h00, Miguel Angel Estrella “reunirá em torno dele os pacientes e o pessoal do Hospital Conde Ferreira para lhes levar a música e a esperança”.
No mesmo dia, na Fundação Eng. António de Almeida, também no Porto, terá lugar o primeiro de dois concertos abertos ao público em geral, o segundo dos quais a realizar-se no dia 29, no grande auditório do Teatro de Vila Real (bilhete cinco euros).
No concerto, o pianista irá actuar com Ensemble de cordas Lusitanae e o Coro “Mez-za Voce”, ambos criados no seio da Associação Música Esperança com a participação de vários músicos do Conservatório Regional de Música de Vila Real.
“Ele é uma pessoa excepcional, um ser humano extraordinário, que podia investir numa carreira profissional mais comercial, mas que prefere colocar a sua arte ao serviço das causas mais nobres”, sublinhou a presidente da Associação Portuguesa, recordando que o desejo de “levar a música aos mais desfavorecidos nos bairros de lata suburbanos e nas localidades rurais mais recônditas”, levou mesmo à sua perseguição e prisão 1976. Durante quatro anos foi “torturado impiedosamente” tendo sido libertado apenas graças “à mobilização de inúmeras personalidades internacionais, artistas e intelectuais, entre os quais Yehudi Menuhin, Henri Dutilleux, Yves Montand, Costa Gavras, Danielle et François Miterrand, Jacques Chaban Delmas, bem como de grandes organizações como Amnistia Internacional, a UNESCO, a Cruz Vermelha Internacional e o Vaticano”.
No que diz respeito à carreira do pianista, destaca-se como um dos vários pontos altos a criação, em 1999, da Orquestra da Paz, na qual foi capaz de juntar músicos oriundos de vários países e de várias crenças religiosas.
Sendo a mais jovem associada desta Federação, a Associação Música Esperança Portugal já realizou, ao longo dos últimos meses, vários encontros, levando a música aos estabelecimentos penitenciários de Vila Real e Bragança, organizando ateliers musicais para crianças e apresentando concertos na Fundação Júlio Resende, Instituto dos Cegos do Porto, instituições de solidariedade social em aldeias de Trás-os-Montes e nos Teatros de Vila Real e Bragança.



