Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Futebol ou palco de guerra?

O futebol não pode ser um ritual de guerra, um palco de fomentação de ódios.

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O futebol jogado deve sim, ser lugar de prazer, solidariedade partilhada com todos, independentemente do amor clubístico… saber perder, é saber partilhar a felicidade do outro como um bem coletivo, porque todos fazemos parte do mesmo palco da vida, da mesma família universal.

Dentro da igreja, ajoelhe-se. No estádio de futebol grite libertando-se das teias nefastas. Numa festa comemore com todos. No beijo apaixone-se. De frente para o mar, dispa-se e vá para dentro da água sentir a frescura do corpo e o prazer da liberdade… Há décadas a família ia ver o futebol em festa, porque o futebol era um desporto honesto e não um espetáculo fanatizado por quem não sabe apreciar a sua beleza, a sua imprevisibilidade…
Ao lembrar o futebol com esta dimensão grandiosa de espírito coletivista, lembro Vasques e os Cinco Violinos que nos anos 50 fizerem furor galvanizando todos aqueles que gostavam de futebol…

Vasques era um dos Cinco Violinos do Sporting, sendo os outros o Peyroteu, Albano, Travassos e Jesus Correia…Quando Alexandre O´Neill morreu, Vasques acompanhou-o até à sua última morada. Durante o percurso, foi falando das trivialidades da morte perante a força catalisadora da vida…

Vasques também falou das relações de alguns escritores com o futebol, como Manuel da Fonseca, Ruy Belo, Manuel Alegre e tantos outros, dizendo que este grandioso desporto também era uma linguagem viva e inteligente, onde imperava o sentido democrático do coletivo.

Tinha sensibilidade Vasques, deixando no campo toda a sua força, e a sua alegria em jogar com os outros, sem maldade, mas respeitando-os como iguais. Vasques foi excelso até à morte. Nunca caiu gratuitamente para provocar penálti, nunca tentou fazer do futebol uma mentira abrupta, uma arma de glória…

Recebeu ofertas para representar outros clubes, mas sempre respondia: “Será que os meus companheiros iriam gostar de eu sair da minha segunda família?
Naquele tempo, havia o sentido da honra, o amor à camisola… O dinheiro? Ah, esse ficava para segundo plano, porque a voz da alma apaixonada, ninguém a podia calar, porque essa era a voz do coração, cravada como irrefreável paixão por aquilo que se amava e acreditava…

Nesse tempo, havia presidentes de clubes que eram Homens de corpo inteiro, responsáveis máximos que protegiam os jogadores como um bom pai deve proteger os seus filhos… Os treinadores? Eram o exemplo maior de lealdade que na sua dedicação ao clube, na sua linguagem motivadora e pedagógica, davam aos jogadores as ferramentas necessárias para que o futebol fosse uma festa coletiva e universal, um jogo fundamentado na elevação da verdade: um exemplo para o mundo.

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