Geração de estivadores

Tenho 58 anos. Demasiado velho para pertencer à “geração à rasca”, e talvez demasiado novo para baixar os braços. Pelo menos, é o que eu acho. E renego quando dizem que foi a minha geração que destruiu o “estado social”. Porque não são as gerações que o destroem: são quem governa e, pelo que sei, não houve nenhum Governo que não incluísse novos e velhos. É um facto que o Estado Social, nesta sua versão de Estado-protector que a tudo chega e a todos os males acode, está com dos dias contados. Porque só há regalias sociais quando há dinheiro nos cofres do Estado. E só há dinheiros nos cofres do Estado, quando o país produz. E como o país não produz, e não vai produzir tão cedo, só há uma solução: encolher o Estado Social.

Então, não é justo que a minha geração seja acusada de destruir as regalias dos mais novos. Só quem não sabe o que narra a História, é que se pode agarrar a estas acusações. Noutros tempos, desde há cem anos, que o mundo moderno aprendeu a resolver as suas crises profundas com Guerras Mundiais. Triste opção! Mas foi a opção das gerações desde então. Num contexto mais alargado, pode dizer-se que a crise que já despontou na Europa e na América, e que deverá estender-se pelo mundo, noutros tempos, já teria incendiado o rastilho de um conflito bélico mundial. Foi assim na I e na II Grande Guerra. Contudo, e apesar de todas as asneiras

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