No último ano o Comando Territorial de Vila Real da Guarda Nacional Republicana (GNR) assistiu a uma redução de 16,9 por cento na criminalidade, um dado positivo que marca mais um Dia da Unidade, assinalado ontem, em Chaves.
No âmbito da comemoração, a VTM foi conhecer um pouco melhor uma instituição que, de natureza militar, hoje representa a força de segurança que está mais próxima dos cidadãos, em especial das populações dos meios rurais.
“Pela sua dispersão geográfica, a GNR é a força que está mais próxima das pessoas, particularmente das populações mais isoladas”, sublinhou o Coronel de Cavalaria Fernando da Rocha Marques, comandante da GNR de Vila Real.
Contando atualmente com 680 homens e mulheres, aos quais acresce os 75 ex guardas-florestais (que desempenham uma atividade complementar), o comando vila-realense atingiu o número mais elevado de elementos dos últimos dez anos. “Este ano fomos reforçados com mais dez militares”, explicou o comandante referindo que os elementos estão dispersos pelos vários postos localizados nos 14 concelhos do distrito.
No que diz respeito às suas valências, o Comando Territorial de Vila Real conta com várias secções para além do Policiamento de Proximidade, da investigação criminal e do trânsito, como, por exemplo, o Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA), uma equipa cinotécnica (sediada no Peso da Régua), uma esquadra de cavalaria (em Chaves), o Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Específicas e uma equipa de inativação de engenhos explosivos (que também atua em Bragança), entre outras.
“Infelizmente, porque o dispositivo não permite, não temos um destacamento de intervenção”, frisou o coronel Fernando da Rocha Marques, explicando, no entanto, que os níveis de criminalidade em Vila Real também “não são significativos quando comparados com outros distritos” e considerando que o comando está atualmente “bem apetrechado”.
Segundo os dados estatísticos do comando de Vila Real da GNR, no último ano o distrito assistiu a uma redução na criminalidade, uma tendência verificada na grande maioria dos concelhos, sendo a única exceção Ribeira de Pena.
Com os números referentes ao período entre julho de 2015 e junho de 2016, é possível verificar uma quebra total na ordem dos 16,9 por cento dos crimes registados, face ao ano anterior.
Sublinhando que é preciso alguma cautela a analisar as estatísticas, tendo em conta que, comparativamente, pequenas variações em termos absolutos podem ser empoladas quando feita a comparação com o ano anterior em termos percentuais, o comandante vila-realense congratulou-se com a redução, sublinhando que esta é o reflexo da conjugação de dois fatores essenciais, nomeadamente a presença ativa da Guarda no território, que tem um efeito dissuasor, mas também uma maior consciencialização dos cidadãos
No que diz respeito aos vários concelhos, tal como a nível global, a tendência também foi de quebra na criminalidade, tendo a maior redução se verificado em Valpaços, onde, entre julho de 2015 e junho deste ano, foram contabilizados 219 crimes, contra os 589 registados no ano anterior.
Na grande maioria dos concelhos vila-realenses as estatísticas mostram reduções, à exceção de Ribeira de Pena, onde a GNR somou 188 crimes no ano que passou, contra os 183 registados nos 12 meses anteriores, ou seja, uma pequena variação positiva de 2,7 por cento.
Uma das maiores variações prende-se com os crimes contra os animais, que sofreu um aumento de mais de 400 por cento, ao passar de apenas três crimes registados para 16, um dilatação que se deve a criminalização dos maus- -tratos contra animais, instituída em 2015.
Do outro lado da balança está a criminalidade referente a “legislação avulsa” (vários tipos de crimes) que viu cair o número de ocorrências no distrito de 428, para 227, ou seja, uma redução na ordem dos 47 por cento. Ou ainda os crimes contra o Estado (que no último ano teve uma quebra de mais de 27 por cento)e os crimes contra o património (menos 14,3 por cento), entre todos os outros que também viram o número de ocorrências diminuir.
Se a criminalidade reduz, também o número de detidos assinalou uma quebra na ordem dos 24,6 por cento, tendo sido detidas no mesmo período 510 pessoas. Dos detidos em flagrante delito (372), 201 responderam por condução sob o efeito do álcool, sendo o segundo crime mais presente na lista de detenções a condução ilegal (83 casos).
Para a classificação de Vila Real como um distrito seguro concorre ainda o baixo número de ocorrências tidas como “criminalidade violenta”, tendo sido contabilizado na área de intervenção da GNR apenas 38 crimes no espaço de 12 meses, o que representa, ainda assim, uma redução na ordem dos 7,3 por cento.
Intervenção no posto de Alijó deve avançar brevemente
“O que está garantido é que, de facto, é uma obra para avançar brevemente. Estamos a espera que passe do papel à prática”, sublinhou o comandante da Unidade sobre a intervenção nas instalações da GNR em Alijó.
O mesmo responsável recordou que quando chegou ao Comando Territorial, há pouco mais de um ano, trazia a indicação do comando da Guarda de que aquele posto seria o primeiro a avançar. “É verdade que as contingências financeiras que o país tem vivido ainda não permitiram que as obras avançassem”, lamentou.
Sobre as restantes instalações espalhadas pelo distrito, já foi sugerido pelo comandante que sejam recuperados (“requalificados ou criados postos novos”), os postos de Murça, Mesão Frio, Ribeira de Pena e Montalegre. “São aqueles que entendo que neste momento precisam de uma reviravolta, quer em termos de funcionalidade quer em termos da própria qualidade das instalações”, explicou.
Mas há outros postos que têm sido beneficiados, através de pequenas intervenções cujos materiais são adquiridos pela GNR e a mão-de-obra é garantida pelas autarquias locais, através do estabelecimento de parcerias que visam dar melhores condições aos militares.
Há um século a garantir a segurança em Vila Real
As comemorações do Dia da Unidade decorreram ontem, dia 24, na Praça do Município de Chaves, onde foi realizada uma cerimónia militar presidida pelo Major General, 2º Comandante-geral da GNR, Luís Francisco Botelho Miguel, e que contou com a participação de várias individualidades e representantes de instituições do distrito.
Ontem foi comemorado o 7º aniversário do Comando Territorial, mas, na realidade, a presença da Guarda no distrito completa cem anos. “A reestruturação de 2009 alterou a estrutura da Guarda”, explicou o comandante da Unidade, referindo que antes da atual denominação existiu o “Grupo Territorial de Vila Real”, e antes disso a “Companhia de Vila Real”.
O Dia da Unidade, dia 24 de agosto, mantém como referência o dia da instalação da GNR na capital de distrito, com a criação, em 1916, da 3ª. Companhia de Vila Real.





