O Comando Territorial de Vila Real da Guarda Nacional Republicana (GNR) já registou este ano mais de 42 queixas por furto de metais, um crime que tem aumentado exponencialmente desde Dezembro do ano passado, e que está a “preocupar em especial” as autoridades.
No dia 22, foram detidos em flagrante delito, em Chaves, dois indivíduos que furtavam alumínio (portas e janelas) de uma habituação, tendo sido apreendidos aos dois homens, já constituídos arguidos e sujeitos a Termo de Identidade e Residência, cerca de 100 quilos daquele material.
Desta vez, o alvo dos criminosos foi o alumínio, no entanto, o metal mais procurado pelos larápios é o cobre, como explicou, ao Nosso Jornal, o Major João Morgado, responsável pela Investigação Criminal no Comando Territorial de Vila Real. “Durante o Verão, eles aproveitam o cobre que sobra dos fios da rede eléctrica que são destruídos nos incêndios. O problema está no resto do ano”, sublinhou o mesmo responsável, referindo que há muitos casos de linhas que estão em perfeitas condições ou postes de transformação que são vandalizados com o intuito de retirar os fios.
O maior furto registado no distrito envolveu cerca de 2,6 mil metros de fio de cobre, no entanto, mais que os valores dos materiais furtados, são também significativos os prejuízos resultantes da reposição das linhas e do facto de algumas localidades chegarem mesmo a ficar sem electricidade durante alguns dias.
O furto de metais, quer seja alumínio, cobre ou ferro, são de “difícil investigação”, sublinhou o Major Morgado, explicando que, além de se tratar de um crime que, a não ser interceptado em flagrante delito, depende da apresentação de queixa, é cometido por grupos muito bem organizados, que já têm “as suas rotas e receptores” definidos.
Apesar de estar a ser seguido de perto pela GNR, através dos vários núcleos de investigação criminal do distrito, “não está a ser fácil” o desenrolar das investigações sobre este fenómeno. “Trata-se de um material facilmente retirado, e os responsáveis sabem bem o que estão a fazer”, explicou.
Tendo em conta que os criminosos, apesar de preferirem o cobre, deitam a mão a qualquer tipo de metais, a GNR pede às populações que “estejam atentas” a viaturas estranhas que estejam a proceder ao carregamento de materiais.
Aos proprietários de empresas de comércio de ferro-velho e sucatas pede-se que ao adquirirem os metais exijam documentos que comprovem que o material a transaccionar tenha sido obtido de forma legal. “Muitos empresários já o fazem porque não querem ter problemas” com as autoridades, ou, por outro lado, têm consciência que não devem contribuir para o desenvolvimento deste tipo de crime.
A GNR tem procedido à referenciação, identificação e mesmo detenção de vários indivíduos pela prática de furtos a metais, a grande maioria integram uma comunidade com grande mobilidade a nível nacional. “Até são considerados arguidos, mas quando são sujeitos ao Termo de Identidade e Residência apresentam a sua morada num outro distrito”, tornando-se mais difícil seguir–lhes os passos, explica a Guarda.




