Estamos em pleno mês de outubro. O frio começa a chegar e também por isso não é fácil encontrar pessoas pelas ruas das povoações transmontanas.
Descemos uma das aldeias de Vila Real e lá no fundo fizemos a nossa primeira paragem. Desta vez, a primeira visita do dia é pelos piores motivos, a uma cara bem conhecida dos militares. A dona Julieta tem 90 anos, é uma das pessoas mais velhas da aldeia e recentemente ficou sem todas as poupanças que tinha, foi burlada.
A receção, por detrás do alto portão de entrada, agora é mais cautelosa e, mesmo conhecendo os rostos de quem está do lado de fora, os primeiros instantes foram de desconfiança.
“Agora tenho o portão sempre fechado, nunca se sabe quem vem por aí”, conta.
Rapidamente percebeu que desta vez os motivos são outros e que o principal objetivo é alerta-la, mais uma vez, para os principais perigos a que está sujeita.
Ainda passou pouco tempo desde que ficou “sem nada” e é evidente a tristeza que lhe vai na alma. “Perdi tudo o que tinha. O que me vale são os meus ricos filhos que me vão trazendo umas coisitas”, lamenta.
A passagem da GNR pela aldeia começou a ser mais habitual e isso também ajuda a que as pessoas se sintam em segurança. Quem o diz é Julieta. “Claro que gosto que eles passem por cá. Sinto-me mais segura, conversamos um bocadinho e eles estão sempre a brincar comigo”, refere emocionada.
No cimo da aldeia encontramos a dona Cecília, tem 83 anos e vive na localidade há 20. Foi operada recentemente e essa é também uma das razões que motiva as frequentes visitas da GNR.
“Eles vão passando por cá muitas vezes. Sentimos que não estamos sozinhos, que estamos seguros e que se importam connosco”, diz, lembrando o papel destas patrulhas
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