O Comando Territorial de Bragança, através da Secção de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário (SPC) de Mirandela, está, desde o dia 24 de agosto, a realizar uma série de ações de sensibilização no âmbito de uma iniciativa denominada de “Aldeia Protegida”.
A VTM acompanhou uma dessas ações, na aldeia de Vale de Salgueiro, a cerca de 16 quilómetros da sede de concelho. Num dos cafés da aldeia, a GNR dirigiu-se a quem estava na esplanada, com o objetivo de os alertar para a importância de cumprir as normas de segurança inerentes à Covid-19.
“Esta ação visa sensibilizar os cidadãos para as obrigações legais a que estão sujeitos para prevenir a propagação do vírus”, explica o capitão Hugo Torrado, acrescentando que a mesma surge devido “ao aumento da população com a vinda dos emigrantes e dos migrantes, à existência de um elevado número de idosos referenciados e o facto de nos termos apercebido de alguns ajuntamentos, nomeadamente nos cafés”.
Do uso obrigatório de máscara à lotação dos estabelecimentos, passando pela necessidade de higienizar os espaços e manter uma distância social, nada fica de fora no panfleto que os militares vão entregando à população.
“Notamos que, nas aldeias, existe um falso sentimento de segurança porque as pessoas pensam que por lidarem com pessoas que conhecem podem facilitar, o que não é verdade”, realça o capitão.
Até ao momento, “não houve nenhuma situação preocupante”, garante o comandante da GNR de Mirandela, salientando que “os idosos são a nossa grande preocupação porque nestas situações há sempre quem se tente aproveitar e enganá-los”.
Eduardo Augusto Sérgio, de 94 anos, ouviu tudo com muita atenção, mas usar máscara não é com ele. “Eu estou todo o dia no campo e aqui no café também não uso, mas olhe, se tiver de ser, que remédio tenho”.
Na mesa ao lado, David Cadavez, de 70 anos, confessa que “não usamos muito a máscara, só quando vamos aos supermercados e dentro do café, mas pelos vistos até na esplanada temos de usar”.
Lurdes e António Bouça são os proprietários do café e não ficaram muito surpresos com a informação passada pela GNR. “A lotação passou dos 45 para os 20 lugares, o acesso às casas de banho é controlado e as mesas vão sendo desinfetadas”, explicam, referindo que “o que mais nos preocupa é se tivermos de voltar a fechar mais cedo. Com despesas mensais na ordem dos 1000 euros não é fácil”.
A iniciativa “Aldeia Protegida” arrancou a 24 de agosto e até ao final de setembro vai percorrer várias alteias do distrito de Bragança.
"Não costumo usar máscara, mas se tiver de ser…”
Eduardo Augusto Sérgio
Habitante Vale de Salgueiro
O que mais nos preocupa é se tivermos de voltar a fechar mais cedo”
António Bouça
Proprietário café
"Notamos que, nas aldeias, existe um falso sentimento de segurança”
CAP. HUGO TORRADO
Comandante GNR Mirandela



