Sábado, 16 de Outubro de 2021

Governo avança com “100 profissões estratégicas” para baixar o desemprego

Em 2009, a região duriense teve um aumento de 20% na taxa desemprego, reflectindo-se mais no sector feminino. Por outro lado, as oferta dos Centros de Emprego, durante o ano de 2010, aumentaram cerca de 80%. Entretanto, para combater este flagelo social, o Governo prepara- -se para apresentar o Programa “100 profissões estratégicas”

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Este projecto recolocará competências nos Centros de Gestão Participada de Formação Profissional dirigidas para as áreas que dizem respeito às actividades onde as associações empresariais referem ter necessidades absolutas de qualificação.

O secretário de Estado do Emprego, Valter Marques, abordou esta temática do desemprego e fez o ponto da situação na região e no país, sublinhando a importância da elaboração de uma agenda. “Em termos regionais, os parceiros da região têm de se comprometer com uma agenda, que deve conter os pontos essenciais, como quais são as qualificações estratégicas para o desenvolvimento de uma região?” Valter Marques sublinha que esta agenda terá um papel crucial para o futuro do mercado de trabalho na região duriense. “Tem de haver um acordo sobre a rede local e regional de qualificações, e isto implica o acordo entre as escolas, autarquias, centros e empresas de formação, associações empresariais, empresas e empregadores, de forma a serem estabelecidas metas. É preciso arriscar e conseguir com que a qualificação indispensável se faça no contexto de trabalho. Portanto, temos que ter metas para colocar os jovens, os adultos, ou quem quer que seja em contexto de trabalho, pode ser através de estágios, postos de trabalho e em situações de inserção”.

Outra medida passa pelo reforço geral do encaminhamento dos desempregados para a formação e também uma reorientação dos Centros de Formação Profissional do IEFP, além da linha de Apoio à Criação do Próprio Emprego. O secretário de Estado do Emprego entende que o combate ao desemprego não é uma corrida a sós do Governo. “Aqui, na região, há a ideia ou a expectativa de que as políticas nacionais resolvam por si só os problemas do desemprego, mas isso não é assim e poderá conduzir ao insucesso. Tem existir um forte comprometimento dos actores, designadamente dos parceiros empresariais e dos vários tipos de poderes, económico e político”.

Este membro do Governo sintetizou outras medidas que o Governo pretende desenvolver nos próximos tempos, que passam pelo apoio à inserção no mercado de trabalho, com o Estado a dar incentivos financeiros e fiscais, onde os estágios são uma ferramenta essencial. O outro eixo das políticas activas é a qualificação, já que “Portugal tem problemas gravíssimos”. “É preciso acelerar as condições para que os patamares mínimos de qualificação sejam cumpridos. Hoje, não conseguimos colocar no mercado de trabalho pessoas com baixas qualificações. O nosso desemprego de longa duração é acima de tudo centrado nas baixas qualificações. Temos mais de 300 mil desempregados que não têm o ensino secundário e mais de 250 mil nem o básico têm. Temos de fazer a requalificação dos desempregados não só através de programas para adquirirem as qualificações gerais, mas sobretudo requalificar para novas profissões ou para novas situações da profissão”.

O secretário de Estado do Emprego deixou alguns números que não deixam de ser preocupantes. “Em Portugal, o ano de 2009, foi o pior de sempre. Perdemos mais de 120 mil empregos (em termos líquidos). Destes desempregos, 20.000 foi na agricultura, mais de 53 mil na indústria (sector secundário), e cerca de 26 mil nos serviços. A esmagadora maioria do emprego perdido foi de pessoas com baixas qualificações, mais de 56 mil foram nos trabalhadores não qualificados.

Todavia, deixou outros números considerados “positivos”. “No final de 2009 houve algum crescimento económico e isso trouxe mais emprego. Aliás, neste momento, temos menos 10 mil desempregados inscritos nos Centros de Emprego do que tínhamos em Janeiro”.

Este responsável político refere que se verifica “uma estabilização” na taxa de desemprego registada. No sector primário, houve uma pequena diminuição durante 2010, em cerca de um milhar. No sector secundário, verifica-se uma diminuição significativa, com mais de 12 mil pessoas. Na construção civil registou-se uma diminuição no número de desempregados. Nos serviços, também houve uma diminuição de desempregados, no alojamento e na restauração.

Valter Marques observou ainda que o mercado de trabalho nacional é muito mais dinâmico do que as pessoas pensam. “Perdemos postos de trabalho mas ainda assim foram criados em Portugal 200.000 novos empregos”.

Em jeito de rodapé, Valter Marques deixou uma outra “receita” para combater o desemprego na região, através de um apelo ao tecido empresarial e municipal. “É muito importante que a região identifique as capacidades existentes ou passíveis de desenvolvimento. Neste caso, devem ser adoptadas estratégias de diversificação das economias locais, a incorporação das principais tendências tecnológicas, a aposta nos novos sectores da competitividade, o investimento na educação. Depois, naturalmente, a mobilização activa para o empreendedorismo”.

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