Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Guerra do Ultramar: fomos traídos por muitos a quem servimos

De repente chegou o dia 4 de Fevereiro que assinala o princípio da guerra do Ultramar, em 1961. Fez meio século. Os mass media abriram os microfones e «é um ver se te avias». Todos querem chegar-se à frente para darem a sua visão. Desde o golpe militar do 25 de Abril de 1974 terá sido o tema mais tratado na sociedade portuguesa. Com ele mudou muita coisa. Para bem e para mal. A maior parte dos seus protagonistas virara heróis apressados. As televisões abriram-lhe as «goelas» e eles mostraram que eram mais ágeis para falar de si próprios do que para colocar a verdade e o interesse público acima das suas próprias heroicidades. Sempre apostaram nas mesmas vozes, nos mesmos rostos, nos mais carismáticos. Raramente deram voz e imagem aos generais prudentes, aos Brigadeiros e coronéis «saneados» e aos Tenentes-Coronéis com carreiras interrompidas.

-PUB-

Pior ainda: o golpe militar partiu de alguns daqueles que tinham o posto de capitão. Daí para cima – aos oficiais superiores e generais – já ninguém lhes barrava os caminhos da progressão. Mas era urgente vagar o número de lugares para os novos. Havia, porém, para aos tenentes e capitães de carreira um obstáculo muito difícil de transpor: a Academia não formava o número suficiente de oficiais que saíam como alferes, eram promovidos à pressa a tenentes e estes, após prepararem a companhia que iriam comandar na Guiné, em Angola, Moçambique ou Timor, já abalavam com os galões de capitão. De técnicas de guerra talvez nem soubessem tanto como os alferes milicianos que regressavam

Artigo exclusivo PREMIUM

Tenha acesso ilimitado a todos os conteúdos do site e à edição semanal em formato digital.

Se já é PREMIUM,
Aceda à sua conta em

Mais Lidas | opinião

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.