Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
Victor Pereira
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Igrejas vazias

Muitas comunidades cristãs andam preocupadas devido à diminuição de pessoas na participação da liturgia, nomeadamente na missa dominical, e nas ações e atividades das paróquias.

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Algumas razões são bem conhecidas, e variam de região para região: quebra do ritmo da vida religiosa durante a pandemia, que, se por um lado merece alguma compreensão, é um argumento difícil de sustentar para quem tem verdadeira fé. Mal a pandemia foi dada como minimamente controlada, as pessoas recuperaram os hábitos consumistas e as práticas comerciais, invadiram os centros comerciais e retomaram as rotinas de diversão, encheram estádios de futebol e celebraram festas, voltaram às liturgias do materialismo e do exibicionismo. É estranho que só não se reencontraram com a Igreja!
Por outro lado, em muitos lugares, há cada vez menos gente, muita é idosa, há um bom número de doentes, é normal que se note redução de pessoas nas assembleias dominicais.

Convém não esquecer que, hoje em dia, os fins de semana estão preenchidos com muitas atividades e eventos, o que gera uma grande dispersão de pessoas. A reboque de certos meios de comunicação social, alguns ainda apontam o desapontamento de muitas pessoas pela pedofilia na Igreja, a forma como o assunto tem sido tratado, o que as levou a afastarem-se da Igreja. Aceito que, de facto, a pedofilia na Igreja é lamentável e inaceitável, e é questionável um certo tipo de cultura que imperou na Igreja sobre estes casos, mas a Igreja não é uma instituição pedófila, arrepiou caminho e está a dar exemplo no tratamento da pedofilia. Reconheceu os erros, não é uma instituição perfeita, e está a passar por um processo de purificação. Se as pessoas se afastam da Igreja por causa das suas misérias, então por que é que não se afastam de partidos políticos e de clubes de futebol, onde se veem coisas pouco recomendáveis e profundamente imorais? Pelo contrário, vê-se muita gente a inscrever-se na militância partidária e estádios de futebol cheios de adeptos. Só ajustam contas com a Igreja?

A Igreja, ao longo da sua longa história, já terá passado por muitas fases destas. Costumo pensar que nem quando as igrejas estavam cheias estava tudo bem, nem quando as igrejas estão mais vazias está tudo mal. O pior que pode acontecer à Igreja é ceder à demoníaca pressão de se vender facilmente à superficialidade e às modas de cada tempo, tornando-se uma Igreja banal e mundana, de identidade difusa, sem força de ser fermento, sal e luz para a sociedade.

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